CINEMA: “O Pequeno Italiano”

Agosto 27, 2007 at 12:41 am | In Dicas, Mundo | 1 Comment

O Pequeno Italiano (Italianetz, 2005) é um fabula sombria sobre uma prática comum na Rússia contemporânea (e em boa parte do mundo subdesenvolvido). Crianças estão sendo vendidas para casais ricos estrangeiros por lá. Por falta de recursos, mães abandonam seus filhos em orfanatos que se tornaram verdadeiras empresas de tráfico humano – leva quem pagar mais. Partindo dessa premissa, o diretor Andrei Kravchuk faz sua estréia em longas, denunciando essa prática com uma produção que flerta com a linguagem cinematográfica neo-realista italiana. O movimento se caracterizou pelo uso de elementos da realidade numa peça de ficção, aproximando-se até certo ponto, em algumas cenas, das características do filme documentário. Ao contrário do cinema tradicional de ficção, o neo-realismo buscou representar a realidade social e econômica de uma época mostrando-a de forma crua. Na trama, o menino Vanya de seis anos vive em um orfanato na Rússia. Em breve será adotado por um casal de italianos, daí o apelido dado por seus colegas, o “pequeno italiano”. Um dia, uma jovem mulher aparece na instituição desejando recuperar seu filho. Desesperada, pois o filho já tinha sido adotado há tempos, ela se suicida jogando-se debaixo de um trem. Vanya acredita que sua mãe também pode tentar buscá-lo algum dia. Com medo que ela tenha o mesmo destino trágico, decide procurar por ela. Com essa idéia em mente, o menino parte para sua longa jornada em busca da mãe.Há um quê de Dickens, de benevolência e indiferença, no decorrer da história. No orfanato percebemos uma estrutura que lembra a obra Oliver Twist, do autor. Através desse painel de personagens, Kravchuk aproveita para inserir elementos culturais soviéticos que contrastam e corroboram com o capitalismo ocidental. Ao mesmo tempo em que os órfãos precisam sobreviver como uma coletividade, muitos dependem de pais adotivos para um futuro melhor. Esse paradoxo apresenta um retrato da Rússia pós-Glasnot. Essa maneira inescrupulosa de adoção provoca uma reflexão sobre uma constante prática por parte das celebridades norte-americanas em relação as crianças africanas e asiáticas.

Os temas são espelhados tecnicamente. As paisagens ganham tons acinzentados, transformando o cenário em algo drástico e apocalíptico. Uma realidade nua, desprovida de qualquer efeito cênico. A destruição emocional se sustenta em seqüências praticamente sem som. A trilha evoca diminutos acordes de uma cantiga infantil que apóiam a dramaticidade da narrativa. A câmera sustenta essa proposta com a utilização de close-ups. Mas nenhum desses atributos técnicos funcionaria sem a interpretação comovente de Kolya Spiridonov no papel de Vanya. Sua atuação impressiona pela riqueza de expressões.

Acertadamente, Andrei Kravchuk não investe no sensacionalismo barato. Sua obra é calcada no real – e chega ao extremo de usar como figurantes crianças abandonadas de verdade.

Entrevista com Andrei Kravchuk, por Oleg Sulkin      

Sua primeira escolha profissional foi a Matemática. Como decidiu se tornar cineasta? Como disse o escritor americano O Henry, “Não é a estrada que pegamos: é o que está dentro de nós que nos faz rumar por onde vamos.” Não é nada fácil mudar de carreira, ainda mais quando minha tese de mestrado estava quase finalizada. Foi quando conheci os diretores Aleksei German e Vladimir Vengerov, que me ajudaram a conseguir uma vaga como assistente de direção, no filme We Are Going to América (My Yedem v Ameriku, de Efrim Gribov, 1992). Quando terminamos o filme, entrei no Instituto St Petersburg de Cinema e Televisão. 

Em sua filmografia há uma grande lista de documentários e séries de TV. Qual a diferença entre trabalhar com cinema e esses outros formatos? 

Fazer televisão hoje na Rússia é o caminho mais acessível para se profissionalizar na área. Na televisão, os prazos são curtos, a produção é sempre corrida e tudo o que se pode mesmo fazer é manter a linha da história. O documentário é meu gênero favorito, porque possibilita a criação de imagens artísticas do cotidiano da vida que está ao redor. Fazer documentários também ajuda na realização de um filme de ficção: ensina a olhar para o material filmado não como algo sagrado, mas como material bruto a ser editado. 

Você escreve ficção há muito tempo? Escreve apenas roteiros ou também há trabalhos estritamente literários? 

No passado eu escrevia bastante – basicamente contos e poemas. Costumava enviá-los para jornais, por exemplo, uma publicação bem estranha sobre ÓVNIS. Eram fantasias sobre discos voadores, um tipo de ficção científica. Isso me fez começar a escrever roteiros. Mais tarde, fiquei totalmente focado em filmes. 

Quais diretores da velha geração o influenciaram? 

Eu gosto dos filmes de Dinara Asanova, Teenagers e Woodpeckers Don’t Get Headaches. Serei sempre agradecido ao meu orientador, o cineasta Semyon Aranovich (vencedor do Urso de Prata pelo filme The Year of The Dog). Ele cultivou uma coisa única em cada um de nós, e fez de tudo para que realizássemos nosso potencial artístico. Naturalmente, eu adoro o neo-realismo italiano, como Ladrões de Bicicletas, que captura um autêntico “pedaço da vida”, aspecto que acredito ser o mais difícil ao fazer um filme. Mas, por mais que respeite os diretores do passado, não pretendo parecer com nenhum. Copiar o estilo de alguém é a coisa mais ingrata que posso imaginar. 

Como surgiu a idéia para O Pequeno Italiano? 

Em 1999, uma enorme quantidade de crianças invadiu as ruas das maiores cidades russas, como resultado do colapso financeiro do país. Lavavam carros, vendiam jornais, trabalhavam como frentistas, faziam de tudo para sobreviver. Quando a irresponsabilidade torna-se uma regra na sociedade, todo seu sistema moral se transforma. Enquanto, entre adultos, sob quaisquer circunstâncias, certas restrições e convenções morais permanecem, entre as crianças isso não existe. Crianças estabelecem suas próprias leis, sua própria hierarquia e seus próprios métodos de distribuição de riquezas. Por um lado, essas crianças crescem muito rápido. Por outro, nunca amadurecem; continuam numa estranha condição intermediária. 

Seu filme mostra um orfanato funcionando como um Estado dentro de um Estado. As crianças criaram um sistema administrativo autônomo muito mais eficiente que a versão oficial adulta. Crianças brincam a partir de suas próprias regras e aqueles que as violar é severamente punido. Você observou isso na vida real? Qual a fonte do seu conhecimento desse específico meio social? 

Por muito tempo eu quis rodar um filme sobre problemas juvenis profundos. E procurei muito por uma narrativa que incorporasse essa idéia. Quando comecei a trabalhar com Andrei Romanov, percebi que ele tinha coletado um enorme montante de histórias reais sobre orfanatos. Ele tem uma incrível habilidade de fazer as pessoas falarem com ele; totais desconhecidos que se abrem e contam as histórias de suas vidas – às vezes, verdadeiras, às vezes, não. Ele me falou sobre uma história que leu no jornal Komsomolskaya Pravda sobre um órfão. O menino aprendeu sozinho a ler, com o único propósito de encontrar o endereço da mãe biológica em seu arquivo. Fugiu do orfanato e foi procurá-la. Essa história imediatamente forneceu um grande protagonista. Tínhamos também uma idéia de a solidificar com outras observações sociais. Entendi que as ações do nosso personagem deveriam parecer de alguma maneira absurdas, porque ele seria guiado não pela razão, mas pela alma. Não por uma capacidade de comprometimento, mas por uma necessidade tremenda. Ele não queria, como a maioria de nós quer, simplesmente um modo seguro de sobrevivência. Esse garoto é um herói de verdade, no sentido existencialista, como nas obras de Camus ou Sartre. 

Que critérios você utilizou para escolher um orfanato? 

Durante meus anos de estudante, filmei um curta sobre um orfanato russo local. Algumas imagens emocionantes sobre esse estranho meio ficaram presas na minha memória. Eu tinha que encontrar a maneira certa de contar essa história. Decidimos rodar num orfanato real, particularmente problemático. Era importante observar as crianças, não para moldá-las na nossa história ou acomodá-las nas nossas idéias, mas para mostrar as próprias crianças, suas experiências e atitudes autênticas como ponto de partida. Nos orfanatos russos localizados nas grandes cidades, as crianças olham para cada visitante adulto como um potencial pai adotivo. Imediatamente se agarram a ele. Quando todos saem, restando apenas uma criança, os outros percebem que aquela foi a escolhida para a adoção. Mas por terem sido abandonadas toda sua vida, elas não mais olham para novos adultos como potenciais pais adotivos. Finalmente, escolhemos o lar de crianças Lesogorsky, em São Petersburgo, perto de Vyborg, não muito longe da fronteira com a Finlândia. Precisávamos da Rússia provinciana, com todo seu charme modesto. Lembrei de um episódio da vida de Marc Chagall quando ele visitou sua cidade natal, Vitebsk, em Belarus, já um senhor. A população local estava ávida por lhe mostrar seus novos projetos de construção, mas Chagall, já entediado, só se animou quando passou por um cercado surrado pelo tempo. Ele disse que nunca vira nada mais bonito. Ruínas e destroços contam a história e o destino de um lugar. 

Como as autoridades locais os trataram? Era evidente que vocês não planejavam produzir um filme lisonjeiro? Eles nos trataram muito bem.

Todos que conhecemos quiseram colaborar. De nossa parte, não estávamos lá para apontar o dedo ou implicar gratuitamente com os problemas locais. No entanto, depois da exibição, eu percebi alguma tensão na relação com as autoridades locais. Obviamente elas não gostaram do sistema infantil de “auto-administração”, do diretor do orfanato ser retrato como um alcoólatra ou da agente subornar descaradamente oficiais da cidade.  

Fale um pouco mais sobre a agente de adoção, a que chamam de Madam. 

Eu conheci alguém parecido na vida real, que me forneceu muitas informações sobre os “detalhes” do negócio. Essa senhora esteve envolvida na adoção de crianças russas por famílias italianas e começou a forjar documentos de renúncia de direitos paternais por pais biológicos. Houve um escândalo e ela deixou a agência, extremamente ressentida, e acabou me contando toda a história. Usamos alguns dos detalhes que soube com ela. A atriz que a interpreta, Maria Kuznetsova, parece essa mulher na vida real. Em geral, o agenciamento de adoção é um trabalho muito duro para uma pessoa só. Uma adoção passa por tribunais, a papelada é enorme, há uma série de obstáculos burocráticos e inúmeras sessões com os parentes – que geralmente são alcoólatras e agressivos. Por causa disso, a agente necessita de um segurança ao seu lado, como é mostrado no filme. Madam não é de todo má, embora pareça que sim; ela acredita sinceramente que está fazendo uma boa coisa para as crianças. 

Em seu filme, um casal italiano chega ao orfanato e escolhe Vanya Solntsev para adotá-lo, mas o menino foge à procura de sua mãe biológica e outro garoto acaba indo para a Itália em seu lugar. Essa história é baseada em algum fato real? 

Incidentes semelhantes acontecem. Pelo contrato, pais adotivos pagam muito para os agentes russos, algo em torno de 10 mil dólares. Se uma criança foge ou se recusa a ir, a agência é financeiramente responsável. Eles têm de reembolsar o dinheiro ou encontrar outra criança que agrade aos pais adotivos. 

Como você escolheu o jovem ator Kolya Spiridonov, que interpreta Vanya Solntsev?

Escolher o elenco do filme leva muito tempo. Houve publicidade no rádio e na televisão, e meus assistentes pesquisaram em escolas e orfanatos. Fizemos testes com centenas de crianças. Kolya se sobressaiu logo no início. Nosso produtor o havia notado em um curta-metragem e me disse: ‘É disso que precisamos’. Era difícil não notar o charme desse garoto, ainda que muito tenso, falando em voz baixa, com medo de não conseguir memorizar suas falas. Até vimos outros candidatos, mas voltamos para Kolya. Eram crianças interessantes, mas sempre faltava alguma coisa que eu via em Kolya. Finalmente, decidi arriscar e filmar com ele. Quando assisti às primeiras tomadas, soube que havia escolhido direito.

  

Crianças do orfanato trabalharam no filme? No momento das filmagens você teve que mudar algo na rotina do lugar? 

Quase todos os personagens são interpretados por amadores, exceto duas meninas; todos os outros são crianças de orfanatos. Muitos são do Lesogorsky, que nos serviu de locação. Outros vieram de Vyborg, e outros de diferentes orfanatos de São Petersburgo. Para não interferir no cotidiano do orfanato, tudo permaneceu igual: disciplina, aulas, recreios e hora de acordar.  

Há uma forte tradição de filmes infantis no cinema soviético. Ela é importante para você? Você se considera parte disso? 

Fiz uma escolha consciente de não assistir filmes russos com essa temática. Eu quis contar uma história contemporânea de uma maneira quase documental.  

No roteiro, Vanya finalmente encontra sua mãe, mas você não mostra isso no filme. Você não quis um final feliz? 

Existe um final feliz. Quando terminamos o filme, os produtores, o roteirista e eu debatemos o final por muito tempo. Concluímos que seria injusto com o protagonista não receber algum tipo de recompensa no final. Por isso colocamos as trocas de cartas entre Vanya e o garoto que foi para a Itália em seu lugar. 

Qual foi o impacto do filme nos atores infantis? 

Estar envolvido com um projeto criativo e com pessoas trabalhando no meio artístico foi muito importante e positivo para eles. O fato de os tratarmos com respeito fez muita diferença. Alguns deles ficaram tão animados que decidiram “virar completamente a página”. Infelizmente, é difícil fazer uma mudança radical com uma única oportunidade, especialmente quando suas personalidades já foram completamente formadas. De tempos em tempos sabemos de escândalos sobre abuso de crianças russas por pais adotivos, especialmente nos Estados Unidos, que provocaram grande comoção na Rússia. Alguns legisladores do Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo, estão pedindo restrições severas em casos de adoções estrangeiras. Parece que seu filme apóia essa iniciativa, intencionalmente ou não. Por que Vanya desistiu da chance de comer laranjas sob o sol italiano para ficar na Rússia, recluso num orfanato? Esse é um debate tangencial no filme. Vanya não escolheu entre a vida na Rússia e a vida na Itália. Ele escolheu procurar a mãe biológica.

O Pequeno Italiano é a odisséia de um garoto comum, arquétipo do retorno à mãe, o retorno do filho pródigo. No artigo de jornal onde encontramos a idéia para o filme, a mãe pergunta ao filho quando se encontram: “Afinal, por que eu preciso de você?”. O garoto respondeu: “A partir de agora você terá um homem em casa”. Um garoto como esse não terá problemas em romper amarras.   

Sobre o diretor – Andrei Kravchuk

Nascido em 1962 em Leningrado (hoje São Petersburgo). Filho de uma médica e um engenheiro naval. Em 1984, formou-se em matemática e mecânica. Em 1996, formou-se no Instituto de Cinema e Televisão de São Petersburgo, onde estudou cinema. Pouco depois iniciou sua carreira como documentarista e diretor de séries de televisão, colaborando regularmente com o roteirista e diretor Yuri Feting. O Pequeno Italiano é seu primeiro longa-metragem de ficção. Seu próximo projeto é a direção de um longa sobre Alexandr Kolchak (1873- 1920), um dos líderes dos  White Russians durante a Guerra Civil contra os Bolcheviques. 

Filmografia 2005 – Mify Moego Detstva / Myths of My Childhood - roteiro, com Yuri Feting

2005 – O Pequeno Italiano / Italianetz / The Italian2004 – Gospoda Ofitsery  / Officers – minissérie para a TV

2003 – Ilya Averbakh. Obratnaya Tochka / Ilya Averbakh. Reverse Point – documentário

2002 – Chernyi Voron / Black Raven2002 – Semyon Aranovich. Poslednii Kadr / Semyon Aranovich. The Final Shot – documentário

2001 – Sutenyor / The Pimp – episódio da Agent Natsional’noi Bezopasnosti / Agent of National Security – minissérie para a TV

2000 – Rozhdestvenskaya Misteriya / Christmas Mystery – com Yuri Feting

1999 – Delo chesti / A Matter of Honor – episódio de Ulitsa razbitykh fonarei / Streets of Broken Streetlights – série de TV, com Yuri Feting (roteiro e direção)

1999 – Marlen Shpindler / Marlen Spindler – documentário

1997 – Tamozhnya / Customs – documentário1996 – Vecher i Utro /Evening and Morning

1994 – Deti v Strane Reform / Children in the Country of Reforms – documentário

1993 – Otbleski i Teni / Reflections and Shadows

1992 – Indonesiia ­ lubov’ moya / Indonesia, My Love 

 Sobre o roteirista – Andrei Romanov

Nascido em 1962 em Leningrado, Romanov estudou jornalismo. Depois de vários trabalhos diversificados, incluindo zelador, coletor de impostos, bombeiro, pedreiro e funcionário de metrô, ele se inscreveu na VGIK (instituto cinematográfico da Rússia) em Moscou, e formou-se com especialização em roteiro, em 1992.

Filmografia (como roteirista)

2005 – Mentovskie Voiny / Cop Wars – minissérie de TV2005 – O Pequeno Italiano / Italianetz / The Italian

2004 – Poteryavshie Solntse / Those Who Lost the Sun – minissérie de TV

2003 – Chuzhoye Dezhurstvo / Other’s Duty – minissérie de TV

2003 – Chelyabumbiya / Chelyabumbiya

2002 – Vremya Lubit’ / Time to Love – minissérie de TV

1992 – Strannye Muzhchiny Semenovoi Ekateriny / The Strange Men of Semyonova Ekaterina

1991 – Mechenye / Marked 

 Kolya Spiridonov (Vanya Solntsev)

Kolya nasceu em 1995, em São Petersburgo. É filho de pai segurança e da mãe maquiadora artística. Kolya estuda numa escola pública em São Petersburgo e tem trabalhado em filmes desde 2003.

Filmografia2006 – Likvidatsiia / Liquidation

2005 – Margantsovka / Manganese Solution

2005 – Samye Schastlivye / The Happiest2005 – Chas Pik / Rush Hour

2005 – Polumgla / Twilight

2005 – O Pequeno Italiano / Italianetz / The Italian

2003 – Put’ / The Way - curta-metragem

FONTE:  http://www.omelete.com.br/cine/100007568/O_Pequeno_Italiano.aspx

 

1 Comentário »

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  1. o filme realmente é facinante, o cinema é um gigante que está dispertando !!! junto com o chinês e o indiano.


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