Promotor de Justiça alerta sobre a necessidade de se criar rede de proteção da infância
Novembro 2, 2009 at 11:36 am | In Acre | Leave a CommentVal Sales
O promotor de justiça de Defesa dos Direitos da Infância e Juventude do Ministério Público Estadual (MPE) Francisco Maia alerta a sociedade e o poder público sobre a necessidade de se criar no Acre uma rede de proteção da criança e do adolescente. Ele se refere a um complexo que abrigue duas principais áreas de atuação, isto é, uma força-tarefa de profissionais sensíveis que proteja a vítima e outra que responsabilize os culpados de cometer abusos.
“Já de muito tempo o sistema de garantia da criança e do adolescente tem tentado trabalhar essas duas grandes vertentes. A primeira delas é aquela que já, de imediato, toma para si a defesa da criança e o dever de aplicar as medidas protetivas necessárias. A parte da responsabilização é concomitante, mas, infelizmente, nós ainda não temos em Rio Branco uma demanda equipamentos que possam estar dando conta disso”, explica Francisco Maia.
O promotor defende a instalação de um complexo de ação qualificada e voltada para atender todas as demanda existentes no que diz respeito à violência física e principalmente à violência sexual contra crianças e adolescentes. “O nosso grande sonho é termos aqui uma delegacia especializada com equipamento de qualidade que possa investigar e dar resposta imediata de responsabilização, e que essa seja parte integrante do complexo protetivo”, enfatiza.
Francisco Maia ressalta que o objetivo é fazer com que a criança que é violentada do ponto de vista físico, psicológico, de negligência ou sexual – o que, segundo ele, tem sido corriqueiro e comum – possa encontrar amparo e humanização nesse atendimento. Um local que, segundo o promotor, trate de aplicar a responsabilização e os encaminhamentos de imediato. Nesse mesmo complexo de proteção, sonhado pelos defensores das crianças, as família são trabalhadas de forma conjunta.
“A maior arma que as famílias devem ter é a informação e isso pode ser feito tanto pelo Estado como pelos movimentos sociais. O poder público pode trabalhar a família de forma ordinária, ou seja, nas escolas e demais instituições de sua jurisdição, assim como os movimentos sociais podem reforçar o debate nas comunidades, sindicatos, associações e igrejas”, lembra.
O promotor ressalta que as famílias podem trabalhar em conjunto e estar mais atentas a todos os detalhes que possam envolver abusos cometidos contra a infância. “A gente não vai viver a psicose de pensar que todo mundo é agressor, mas o fato é que a violência tem alcançado índices alarmantes nesses redutos (familiares), justamente onde a gente não tem alcance, que é dentro dos lares”, declara.
Proteção da criança é responsabilidade de todos
O promotor de justiça Francisco Maia frisa que a proteção e defesa da criança e do adolescente é um dever das famílias, dos órgãos, instituições e de toda a sociedade. Ele ressalta o compromisso dos país, e principalmente das mães, que muitas vezes é a chefe da família, mas que guarda relação com outras pessoas, como os padrastos, por exemplo.
“É preciso que essas pessoas tenham responsabilidades de guardar, de cuidar e de estarem sempre atentas, além de conversar muito com seus filhos e filhas. Elas podem explicar para as crianças e adolescentes sobre as formas da violência sexual, para que os filhos também possam estar atentos”, explica. O promotor lembra que já houve relatos de famílias cujos filhos foram protegidos por meio da utilização das informações passadas pelos adultos, isto é, seus familiares.
“Quando pais e filhos recebem a orientação adequada conseguem então detectar a situação de risco e encontrar socorro no momento oportuno”, observa. Para Francisco Maia, havendo essa rede de proteção as pessoas podem buscá-la do ponto de vista protetivo e do ponto de vista profissional. “Tem que haver um investimento dentro das escolas. A secretaria de educação tem que se unir a esse trabalho intersetorial e que envolve as diversas políticas básicas de educação, saúde e assistência social”, inclui.
Governos precisam investir
O que pensar do futuro de um Estado ou nação que não protege suas crianças? Esse questionamento é feito por uma parte significativa da sociedade que ainda não perdeu a sensibilidade, ou seja, que ainda se sente indignada, em relação ao alto índice de abusos cometidos contra a infância. Nesse sentido, Francisco Maia garante que o quadro pode mudar a partir da formação de uma aliança de combate onde todos estejam envolvidos, especialmente os governos.
“Um maior investimento nessa questão protetiva é o grande sonho de todos nós”, destaca o promotor, enfatizando mais uma vez a necessidade de criação do complexo protetivo, ou seja, um sistema, onde seja possível atender em um lugar só todas as demandas de defesa junto, e com a mesma ênfase, a responsabilização.
“Precisamos de uma delegacia especializada que investigue e que tenha delegados e outros fissionais sensíveis e capacitados, assim como uma justiça especializada para dar urgência aos casos. Isto porque, criança e adolescente é a única coisa que é prioridade absoluta”.
Fonte: Página 20
Acre: CPI da Pedofilia deve inocentar o poeta Mauro Modesto
Outubro 21, 2009 at 12:58 pm | In Acre, Brasil | Leave a CommentNuma sessão que correu sob segredo de Justiça os membros das CPI ouviram nesta terça-feira, uma testemunha de um dos casos denunciados pela advogada Joana D´Arc. O escritor Mauro Modesto era acusado de ter abusado sexualmente de uma criança de três anos.
No entanto, durante o testemunho da avó da criança supostamente molestada houve muito choro e a afirmação de que nenhuma violência aconteceu. Segundo uma fonte que não quis se identificar, não houve abuso da criança. O Modesto a qual se referiu à advogada era, inclusive, outra pessoa que não o poeta e, mesmo assim, não houve situação de estupro também com o outro personagem.
O resumo da sessão de terça-feira da CPI deverá ser divulgado nesta quarta, numa entrevista coletiva. Alguns membros da CPI querem que os casos onde não existam provas sejam muito divulgados pela mídia na tentativa de limpar o nome dos acusados. Por enquanto, a maior fonte de acusações da CPI foi o depoimento da advogada Joana D´Arc. Uma outra pessoa que acompanha de perto os trabalhos da CPI também já adiantou que não se conseguirá provar nada contra o capitão da PM que adquiriu o apelido de Fome de Amor.
Vale lembrar, que nas ocasiões dos depoimentos da advogada Joana D´Arc e da indígena Letícia Yawanawa os dois únicos membros da CPI que queriam as oitivas fechadas foram os deputados Moisés Diniz (PC do B) e Donald Fernandes (PSDB).
Os parlamentares alegavam que seria preciso primeiro haver uma investigação para depois anunciar o nome dos acusados de pedofilia. Eles foram votos vencidos. Até agora não se conseguiu encontrar provas concretas contra nenhum dos denunciados publicamente por pedofilia por Joana D´Arc e Letícia Yawanawa.
Fonte: A Gazeta
Matéria relacionada:
Acre: Mauro Modesto contesta declarações de Joana D’Arc à CPI da pedofilia
O desafio de recomeçar
Outubro 4, 2009 at 11:27 pm | In Acre, Brasil | Leave a CommentGolby Pullig
Quadras de esporte, piscina, atividades orientadas, cursos profissionalizantes, psicólogo, assistente social, refeição balanceada. O lugar bem que poderia ser comparado a uma boa escola não fossem os muros altos e as grades dos dormitórios. Nenhum deles quer estar ali, mas a grande maioria já se deu conta de que é preciso colaborar para conseguir sair e recomeçar uma nova vida, não de onde parou, mas a partir do aprendizado de buscar superação ao passar meses e até anos privados de liberdade em um período da existência em que ser livre é a grande meta.
Alguns chegam ainda crianças, outros estão perto de completar a maioridade, entretanto todos os meninos e meninas que estão em unidades de recuperação socioeducativas têm que nascer para uma realidade nunca imaginada por eles ou pela família. É aí que entra o projeto pedagógico adotado pelo Instituto Socioeducativo (ISE) implantado pelo Governo do Estado e ainda em fase de estruturação nos Centros Socioeducativos como o Aquiri, inaugurado há cinco meses.
Primeira unidade do país a ser construída dentro dos padrões exigidos pelo Sistema Nacional de Socioeducação (Sinase), o CSE Aquiri prioriza o investimento na educação e o desenvolvimento pessoal de cada adolescente na construção de um novo indivíduo e integra o complexo de unidades socioeducativas do Acre que tentam vencer diariamente os obstáculos no processo de implantação de modelo adotado pelo Governo do Estado para a recuperação de adolescentes.
Verde-amarelo-azul – Após passarem pela Unidade Integrada de Proteção (UIP) Santa Juliana, primeira etapa do processo de reeducação social, adolescentes de 12 a 18 anos são encaminhados para o Centro Socioeducativo Aquiri. O número de internos é flutuante, mas até o fim do mês de setembro encontravam-se 82 meninos.
Ao chegar, eles ficam hospedados na casa amarela, local reservado para quem apresenta maior resistência em se adaptar às novas regras. Ao alcançar um novo patamar nas relações interpessoais mudam para a casa verde, que representa o processo intermediário e, por fim, alcançam a casa azul, última etapa antes de serem encaminhados ao Centro Socioeducativo Acre, unidade pioneira construída há dois anos que recebe os jovens durante o processo de finalização da pena quando estão prestes a voltar ao convívio da família e da sociedade.
O tempo deste percurso depende do empenho individual, uma grande prova de superação e autodisciplina. “São três os pilares: fazer, aprender e conviver. Aos poucos eles vão adquirindo habilidades relacionais e avançando”, explica o presidente do ISE, Cássio Silveira Franco.
Para cada casa uma série de atividades: na primeira, práticas desportivas e escolarização; a segunda tem os recursos da primeira com incremento na escolarização e na terceira, as ações das primeiras mais cursos profissionalizantes dentro da própria unidade. Rotina, disciplina, rodas de conversa entre si, com técnicos e profissionais de diversas áreas ajudam a fortalecer o propósito dos pilares da educação dos CSEs e oportuniza a discussão de temas como ética, sexualidade, cidadania, autoestima, relações humanas, abordados conforme a necessidade deles e da instituição.
Através do Plano Personalizado de Atendimento as demandas do jovem e de sua família são identificadas, e caso haja necessidade, eles são encaminhados aos demais projetos de Governo. Levando em conta fatores como comportamento, responsabilidade, disciplina e compromisso, o interno passa pelas fases do processo de socioeducação, com acompanhamento de equipe multidisciplinar promovendo a evolução do reeducando de acordo com sua capacidade de fazer escolhas e assumir compromissos.

De volta à escola
Quase 80% dos meninos que chegam ao CSE Aquiri têm escolaridade mínima, 70% deles têm entre 15 e 18 anos. A grande maioria apenas com a 4ª série do Ensino Fundamental. Matriculados em programas de aceleração de aprendizagem muitos saem com a formação escolar básica completa. Como o adolescente Fábio (nome fictício para preservar a identidade do jovem) interno do CSE Acre que está terminando o Ensino Médio.
No momento da entrevista montava slides com fotografias que marcam, segundo ele, os “melhores momentos vividos na unidade”. Melhores momentos? Ao ser questionado como seria possível encontrar fatores positivos em situações desta natureza, Fábio responde que se surpreendeu com tudo o que viu e aprendeu na unidade. “Pensei que fosse ficar aqui preso, no tempo determinado pelo juiz e só, sem nenhuma atividade educacional, mas aprendi muita coisa”, conta ele que fez curso de Assistente Administrativo e Informática. A história dele não é muito diferente dos demais. Aos 12 anos usava drogas, bebia, frequentava boates. “Estou correndo atrás do tempo perdido. Quero fazer Direito, tenho esse sonho desde criança e agora estou mais perto de realizar”.
No CSE Aquiri os jovens são matriculados em programas de aceleração para conclusão do ensino básico, têm aulas de Educação Física duas vezes por semana, participam do projeto Aprendendo e Ensinando com o qual têm a oportunidade de repassar aos colegas o aprendizado adquirido. No CSE Acre, prédio localizado ao lado, os meninos desenvolvem o projeto Linha sobre Linha, têm aulas formais por meio do programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), atividades esportivas como futevolei, futebol, tênis de mesa, recursos da Sala de Multimeios.
Estou correndo atrás do tempo perdido. Quero fazer Direito, tenho esse sonho desde criança e agora estou mais perto de realizar.
(Interno)
Para fortalecer ainda mais a base deste trabalho, que tem a educação como ponto convergente, um convênio inédito entre o Instituto Socioeducativo (ISE) e Senai, Senac e a ONG Vertente foi assinado em setembro para facilitar o acesso desses jovens e de outros membros da família ao ensino profissionalizante. É o Programa de Capacitação Profissional de Adolescentes idealizado para envolver não só os jovens como também os familiares.
No Senac estão em andamento os cursos de Frentista, Auxiliar Administrativo, Garçom, Manicure e Doces e Salgados. Meninos e meninas internos e em condição de Liberdade Assistida das CSE Acre, Aquiri e Mocinha Magalhães, como seus irmãos e pais estão matriculados nos cursos oferecidos para promover qualificação profissional e uma opção de geração de renda para a família. Vandressa Silva de 15 anos faz pela primeira vez um curso profissionalizante e diz ter consciência da importância desta oportunidade para se estruturar financeiramente. Ela é uma das beneficiadas pelas vagas destinadas às famílias dos jovens reeducandos. “Meu irmão está saindo do Centro. Está esperando uma vaga pro primeiro emprego. Lá em casa só minha mãe trabalha. Acho que não teria chance de fazer um curso desses se não tivesse sido incluída nesse programa”, diz.

Muitos nunca tinham tido acesso a um computador e no centro, recebem aulas de informática (Foto: Angela Peres/Secom)
Matriculado no mesmo curso, Jamil (nome fictício) de 18 anos, cumpre pena em sistema de Liberdade Assistida tinha no currículo apenas dois cursos: um de informática e um de marchetaria. Ele diz que hoje tem o apoio da família e quer mudar de vida. “Sei que sou um privilegiado e quero mudar, por isso esse curso é importante”. O convênio entre Senac e ISE prevê a abertura de 150 vagas em Rio Branco e Cruzeiro do Sul.
Para a diretora do Senai, Solange Chalub, a parceria é ação comum da instituição para promover a profissionalização de pessoas em situação de vulnerabilidade social. “Estamos sempre à disposição para assinar convênios voltados para a educação profissional. Acreditamos que esta é a nossa contribuição para o desenvolvimento social”.
Não importa qual o motivo que levou meninos e meninas a uma unidade de recuperação social e sim a motivação que os farão sair em busca de um novo caminho, longe das armadilhas que os colocam em situação de privação de liberdade. É para isso que os convênios com instituições de ensino profissionalizante estão sendo firmados representando a primeira porta a ser aberta após o cumprimento da medida socioeducativa determinada pela Justiça.
Família é ouro
“Diz pra minha mãe não me abandonar”, pede um menino de 15 anos que entra pela primeira vez em uma das unidades de recuperação social do Estado para cumprir medida socioeducativa. Esta é uma das reações mais frequentes manifestadas por adolescentes no momento de confrontação com a realidade, quando terão de deixar para trás as referências familiares e a liberdade. Sensação de abandono, medo da solidão e resistência inicial às regras são sentimentos experimentados no início do processo e que são compartilhados entre os jovens e as quase crianças na mesma condição.
Família aqui é ouro. Qualquer notícia de fora, carta, um abraço fortalece o sentimento de que ele não está só. Às vezes as mães choram de um lado e eles de outro.
(Maria Freire, psicóloga)
Na base, apoiando e em constante movimento de capacitação para cumprir a lei e atender às exigências específicas de cada caso, estão dezenas de profissionais entre os quais professores, pedagogos, psicólogos, assistentes sociais, técnicos de áreas diversas. Mas nada disso substitui as notícias vindas de fora, um afago que já se julgava perdido. Lauro*, 17 anos, está há três meses no CSE Aquiri e não vê a hora de voltar para casa. “Muitas vezes esqueço que estou aqui, mas meu objetivo é sair logo”, diz. A psicóloga Maria Freire diz que o rompimento brusco causa a sensação de abandono. “Família aqui é ouro. Qualquer notícia de fora, carta, um abraço fortalece o sentimento de que ele não está só. Às vezes as mães choram de um lado e eles de outro”, conta a psicóloga acrescentando que ao traçar propósitos a partir da perspectiva da não repetição do ato infracional, do desenvolvimento do amor por si mesmo, da apropriação de valores positivos, o adolescente não fere mais ninguém.
Casa de meninas
Flores no muro, um jardim, uma velha casa. O lugar lembra um centro de recuperação social pelas grades nas portas. É o CSE Mocinha Magalhães onde estão atualmente 14 meninas. Única unidade socioeducativa feminina, a CSE Mocinha Magalhães recebe meninas de todo o Estado. O local irá passar por uma reforma e ampliação até o ano que vem. O processo licitatório foi aberto e o projeto inclui a construção de uma brinquedoteca, um berçário e cozinha específica para panificação.
Do grupo reunido na cozinha vêm risadas e conversas animadas, mas todas estão atentas às orientações do professor do curso de Doces e Salgados. Entre elas, professoras, funcionárias e três mães. Apesar das condições do prédio, ali a proposta pedagógica está implantada por uma equipe coesa. “No Aquiri a proposta está sendo construída. Aqui não, já está fortalecida, apesar de não ter ainda a estrutura física adequada”, observa a coordenadora pedagógica Sandra Amorim.
A diretora da CSE, Roza Celi Batista, diz que o índice de reincidência caiu muito em um ano. Hoje é considerado muito baixo entre as meninas, quase inexpressivo. Algumas delas chegam à casa pela segunda vez mas não ficam muito tempo. Como é o caso de Val*. Comunicativa, alegre, ela se destaca no grupo. Está interessada em aprender, está interessada em sair. Até o dia 10 de outubro estará fora da casa e de certa forma lamenta não poder fazer o curso de manicure. “Nunca imaginei que ia poder fazer um curso desse nível. Quando sair daqui quero colocar em prática”.
O curso, oferecido por meio do Programa de Capacitação Profissional de Adolescentes, tem vagas para mães. Maria de Lurdes têm quatro filhos, entre eles Francisca* que cumpre medida socioeducativa. Hoje, sem trabalho e sem renda ela quer iniciar uma nova atividade. “Além do curso ser muito bom, ainda posso ficar perto da minha filha. Quando sair daqui vou fazer essas receitas pra vender”, garante.
Fonte: Agência de Notícias do Acre
Presidente da CPI da Violência Sexual recebe entidades de Direitos Humanos
Setembro 9, 2009 at 11:46 pm | In Acre | Leave a CommentRio Branco – Representantes de diversas entidades ligadas à defesa da mulher, crianças e adolescentes se reuniram, na tarde de ontem (8º), com o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), Luis Tchê (PMN). A CPI investiga casos de violência sexual no Estado.
Durante o encontro, as instituições entregaram uma carta aberta de apoio aos trabalhos da Comissão.
-A gente espera justiça com essa CPI-, disse a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, Amine Carvalho. Para ela os trabalhos da Comissão podem servir para despertar a discussão na sociedade, ajudando assim a mudar a cultura do silêncio que acontece na maioria dos casos.
Na carta estão as assinaturas de representantes de instituições da administração pública como a Coordenadoria da Mulher da prefeitura de Rio Branco e a Assessoria Especial da Mulher do governo do Estado, além de outras não governamentais como a Rede Acreana de Mulheres e Homens.
As entidades se colocaram à disposição da Comissão para a elaboração de projetos para fortalecer a rede de proteção às vitimas de violência sexual, bem como dar subsídios para a atuação da CPI.
Para o presidente da CPI, essa é apenas mais uma demonstração importante da dimensão que os trabalhos têm tomado. “A CPI não é mais da Assembleia, se tornou do povo acreano”. No próximo dia 22, às 15h, acontecerá um grande encontro com todas as instituições parceiras do Parlamento.
Fonte: Portal Amazônia
Acre: Médico acusado de estupro é preso em flagrante
Setembro 9, 2009 at 11:11 pm | In Acre, Crimes | 3 CommentsO crime aconteceu na cidade de Senador Guiomar e a vítima é uma paciente de 15 anos. Segundo o acusado, “tudo não passou de procedimentos profissionais”.
De acordo com o Diretor Geral da Polícia Civil, Emylson Farias, o médico já responde por dois processos: estupro e atentado violento ao pudor.
Assista a reportagem de Marilson Maia e Cleriston Amorim para A Gazeta:
Acre: MPE contra a pedofilia
Setembro 4, 2009 at 7:29 am | In Acre, Ministério Público | Leave a CommentFrancisco Maia diz que exploração
sexual exige tomada de atitude
coletiva
O promotor de justiça da 3ª Promotoria Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente do Ministério Público Estadual (MPE), Francisco Maia, diz que o problema da exploração sexual de crianças e adolescentes no Acre exige uma tomada de atitude que envolva o poder público, os órgãos de proteção da infância e a sociedade em geral. Ele se refere às denúncias veiculadas nos últimos dias pela imprensa com relação à presença de menores de idade em pontos de prostituição da capital.
“Esse é realmente um assunto muito importante, porque trata de algo extremamente degradante dentro da sociedade. A exploração sexual de crianças e adolescentes é crime, é abuso e fere um direito fundamental da pessoa humana, que é a liberdade da sexualidade”, explica ele, referindo-se ao aliciamento de crianças e adolescentes à prostituição.
Para ele, é preciso que haja um combate efetivo e maior organização por parte do poder público e das entidades não-governamentais que trabalham na área da proteção e fiscalização.
“É preciso que haja unidade dos setores e da população para que possamos enfrentar essa organização que existe e que está por trás disso tudo”, acrescenta Francisco Maia, ainda enfatizando a ação dos aliciadores. “Essa organização tem cooptado as nossas adolescentes e até crianças para a satisfação da lascívia de outras que infelizmente não entenderam a necessidade de proteger a infância. Em vez de fazer a proteção necessária, como a lei, a moral e a ética determinam, elas têm ferido e maculado o tempo tão próprio que é a infância e a adolescência”, declara.
O promotor lembra que as reportagens mostrando a presença de adolescentes nos pontos de prostituição da cidade motivaram o juiz da Infância e Juventude, Romário Divino Farias, a mobilizar os setores da sociedade civil e principalmente o poder público municipal e Estadual para o trabalho de combate a esses crimes. Francisco Maia lembra que, no caso de ação dos governos, os setores primordiais de atuação são a assistência social e a segurança pública. “Temos que dar uma resposta à questão nesses dois aspectos”, ressalta.
As denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes foram divulgadas pela imprensa esta semana. A reportagens mostraram a movimentação de menores de idade (meninas) no ponto de prostituição da Rua Floriano Peixoto, no centro da cidade, onde é frequente a presença de travestis e prostitutas. “A questão da violência sexual é uma pauta constante. Hoje temos uma CPI na Assembleia Legislativa do Estado, que tem feito com que a sociedade e a própria mídia possam estar sempre trazendo o tema a público”, acrescenta.
De acordo com ele, do ponto de vista social, o problema deve ser visto pelo poder público por meio das secretarias de assistência aos cidadãos, e do ponto de vista da responsabilização a questão deve ser tratada pela segurança pública. “O que acontece com a responsabilização é que todos esses agressores se sentem muito tranquilos, muito à vontade, em função de não existir uma percepção em relação a eles, para poder puni-los devidamente. Isso faz com que cada dia mais cresça a quantidade de adolescentes explorados.”
Fonte: Página 20
Acre: CPI da pedofilia tem pedido negado para ver processos
Agosto 28, 2009 at 5:45 pm | In Acre, Vídeos Ilustrativos | Leave a CommentOs membros da CPI da pedofilia tiveram negado, pelo Tribunal de Justiça do Acre, o pedido de acesso aos processos de pedofilia. São 300 ações paradas na Justiça: não puniram os pedófilos e não deram respostas à vítima. O Tribunal alega que os processos estão em segredo de justiça e que a divulgação dos autos pode prejudicar as partes.
Assista à reportagem de A Gazeta:
Acre: Letícia Yawanawa depõe na CPI da pedofilia
Agosto 19, 2009 at 9:41 am | In Acre, Brasil, Crimes, Vídeos Ilustrativos | Leave a CommentLiderança indígena reafirmou denúncias feitas contra o assessor do governo do Estado Francisco Pianko
Em depoimento prestado na tarde de ontem aos membros da CPI da Pedofilia, a liderança indígena Letícia Luiza Yawanawa reafirmou todas as denúncias feitas contra o Assessor Especial dos Povos Indígenas do Estado, Francisco Pianko, ao Ministério Público Federal e Polícia Federal. Segundo ela, Pianko teria mantido relação com pelo menos duas índias menores de 18 anos.

Letícia Yawanawa reafirmou denúncias contra Pianko
Na ocasião, Letícia afirmou que o assessor inclusive engravidou uma das jovens indígenas, que na época teria entre 13 e 14 anos. Em seguida, de acordo com Luiza, Pianko também teria explorado sexualmente uma índia com idade de aproximadamente 16 anos. “Em troca, o assessor dava coisas para que as meninas ajudassem suas famílias”, comentou a liderança do povo yawanawa.
Letícia falou também de outras duas tentativas de Pianko na intenção de molestar menores indígenas. “Ele tentou ter um caso com uma sobrinha minha de 13 anos e com uma quarta menina de 12 anos. Tudo isso tem acontecido e por isso tomei a decisão de não ficar calada e sair em defesa do meu povo”, acrescentou.
A liderança feminina dos yawanawas relatou que, no caso da primeira menina, o pai da jovem teria dito que Pianko comprara várias coisas para a adolescente, no entanto, não fez o pagamento e por isso o pai da índia estava sendo cobrado pelo proprietário da loja. “Então o pai da menina ameaçou que, quando o governador estivesse na aldeia, tudo seria revelado. Após isso o Pianko fez o pagamento”, enfatizou Letícia.
Yawanawa contou que nas aldeias o assessor do governo é conhecido por usar seu poder político para dividir os povos, já que as lideranças ficavam insatisfeitas com as partilhas dos benefícios que eram feitas.
O depoimento de Letícia aconteceu na sala da Interligs, na Assembleia Legislativa, espaço bem menor que o utilizado no depoimento da advogada e ativista dos direitos humanos Joana D’Arc. Além de lideranças indígenas, parlamentares e imprensa, o depoimento de ontem também foi acompanhado pela esposa de Francisco Pianko, Eliana Pianko.
Divisão do povo yawanawa
Um dos principais temas explorados durante o depoimento de Letícia Yawanawa foi uma reunião que aconteceu no mês de novembro do ano passado envolvendo cinco lideranças indígenas e assessores do governo. Ela explicou que o assunto principal do encontro eram os problemas causadas pela divisão interna de lideranças do povo Yawanawa e não os possíveis casos de abuso sexual contra índias menores.
Assim como todos os parlamentares, a deputada Idalina Onofre (PPS) parabenizou Letícia Yawanawa pela coragem e se emocionou ao dizer que, a partir daquele momento, tornara-se fã da liderança indígena das mulheres.
Ao final do depoimento Letícia Yawanawa assegurou que permaneceria à disposição da CPI da Pedofilia para prestar mais informações e ajudar a desvendar casos de abusos contra crianças e adolescentes menores de 18 anos.
Assista à reportagem feita por Rose Lima para A Gazeta:
Fonte: Página 20
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