Prostituição, liberdade e abuso sexual de crianças
Novembro 5, 2009 at 7:16 am | In Artigos | Leave a CommentPedro Estevam Serrano*
Sempre vi com simpatia a legislação penal brasileira que exclui a prostituição das condutas passíveis de sanção penal. Quando vejo alguém defendendo a criminalização da atividade, só consigo ver a força que a hipocrisia produz em alguns. O que mais me afeta nessa postura é a tentativa de que o Estado intervenha, indevidamente, na esfera legítima de livre gestão corporal destas mulheres.
As práticas sexuais consentidas entre adultos tratam-se, a meu ver, de álea de intangibilidade pela atuação punitiva do Estado, esfera de incompetência em sua ação. Aliás, creio que ainda resiste inequívoco ranço hipócrita em nossa legislação penal, qual seja, o de punir a mera intermediação de favores dessa natureza. Nada mais justo que punir a violência física, psíquica ou moral eventualmente usada como meio de indução e controle da prostituição, pois se tratam de graves condutas ofensivas a esta mesma liberdade e autonomia de gestão corporal, mas a mera intermediação comercial não há porque, a nosso ver, ser punida.
Se a prostituição é atividade econômica lícita, pois, ao não ser proibida, é protegida pela norma geral de nossa Constituição que tutela o direito à liberdade de trabalho, não há, a meu ver, motivo razoável a fundamentar a punição de sua intermediação.
Mas o que mais chama atenção na realidade social brasileira é a inação estatal e a tolerância de amplos setores sociais para com a prostituição infantil. A criança e os adolescentes são seres hipossuficientes, desprovidos de maturidade mínima para gerir autonomamente seu corpo. A realidade é pior que a simples exploração abusiva da imaturidade infantil e juvenil. O que vemos é a mais pura e cruel exploração das condições trágicas de pobreza em que vive parcela significativa de nosso povo.
Matéria desta semana da Agência Estado informa que levantamento da Polícia Federal demonstra haver a cada 26,7 km de nossas estradas federais um ponto de prostituição infantil, onde crianças e adolescentes oferecem seu corpo por até R$ 2! Uma tragédia cuja dimensão dramática dispensa comentários.
Tal situação é criada, fundamentalmente, pelo fosso de desigualdades sociais que marca nossa vida social. Não se veem crianças filhas da classe média em tal tipo de atividade incompatível com a infância. É a infância pobre quem comparece para satisfazer a lascívia de nossos prósperos e conservadores pais de família.
Apenas uma mudança intensa nas políticas públicas que vise radicalizar o combate às injustiças sociais, distribuindo riqueza e promovendo serviços públicos mitigadores da exclusão social é que conseguirá, ao menos, diminuir a intensidade da tragédia.
Mas, para tanto, haveremos, concomitantemente, de exigir do Estado que cumpra seu papel na repressão severa aos agentes de tal criminalidade. E à sociedade que cesse sua vergonhosa tolerância com tais práticas. De que vale cultuar valores familiares, defendendo crianças que, por serem nossos filhos, trazem similitude de aparência com nossos rostos e conformações corporais, se, com isso, acomodamos nossas consciências e toleramos tal tipo de prática criminosa e cruel contra as crianças das ruas e estradas?
Toda criança carece de nossa proteção, sendo nossos filhos ou não. Isso é um dever de cidadania. Cidadania não se trata apenas do exercício de direitos, mas também de deveres para com a sociedade em que vivemos. Tolerar o abuso sexual contra crianças, não denunciá-lo, é um cruel descumprimento do mais relevante de nossos deveres como cidadãos. Devemos denunciar o parceiro da pescaria que vai a um prostíbulo que ofereça adolescentes, o amigo que comenta sua satisfação com tal prática, o chefe, o parente, qualquer um que auxilie nessa conduta, em especial, os que vivem da intermediação e lucram explorando tais crianças.
Se, por um lado, a prostituição de adultos é atividade que deve ser tida como lícita e merecedora de toda proteção estatal ao trabalho, a prostituição infantil é de ser combatida com tolerância zero pelo Estado e por todos nós.
*Pedro Estevam Serrano é advogado sócio do escritório **Tojal, Teixeira Ferreira, Serrano e Renault advogados associados**, mestre e doutor em direito do Estado pela PUC-SP, professor de direito constitucional, fundamentos de direito público e prática forense de direito do Estado da Faculdade de Direito da PUC-SP, bem como do curso de especialização em direito administrativo da pós-graduação (latu sensu) da mesma faculdade.
Fonte: Última Instância
O crack e 2016
Outubro 27, 2009 at 6:18 pm | In Artigos, Rio de Janeiro | Leave a CommentLidia Pena*
Pelos últimos acontecimentos trágicos, neles incluído novo escândalo da Polícia Militar e a morte de uma jovem assassinada pelo namorado viciado em drogas, impõe-se lembrar que, além da beleza estonteante e das demais qualidades inegáveis do Rio de Janeiro, existem realidades que precisam ser encaradas com ações corretas, urgentes e sem omissões. É o caso das crianças dependentes de crack.
Enquanto a droga só fazia estragos na vizinha São Paulo, não se pensou em uma política de prevenção para ao menos amenizar a desgraça que inevitavelmente se abateria sobre a nossa cidade. E não foram poucos os alertas dos especialistas sobre a capacidade devastadora do crack – e disso o crime cometido por um músico, no Flamengo, é um triste exemplo.
Nada foi feito. Hoje são milhares de crianças, entre 4 e 12 anos, engrossando significativamente as estatísticas de viciados, perambulando pelas ruas ou caídas nas ruelas das comunidades, sem socorro, sem um trabalho realmente eficaz, sem uma política pública de saúde que acompanhe o trabalho de assistência social.
É visível a falta de investimento na formação de pessoal adequado para lidar com essas crianças, doentes do ponto de vista físico, emocional e social. Um público, abrangendo as respectivas famílias, que precisa ser cuidado 24 horas por assistentes sociais aliados a profissionais de saúde (física e mental). Desses, principalmente, devem partir rigorosas orientações sobre como lidar com essas crianças nos abrigos – quando elas conseguem driblar a abstinência e ficar um tempo maior por lá – ou sair às ruas em equipes de acolhimento.
Existem alguns (poucos) projetos bem-intencionados, mas quantos podem apresentar um resultado concreto e expressivo de recuperação e consequente encaminhamento dessa infeliz garotada?
E pode se iniciar com tão pouco a melhora desse quadro! No GLOBO, duas reportagens confirmam a tese. Uma constata que “na cidade-sede dos Jogos Olímpicos, 45% das escolas públicas não têm sequer uma quadra de esportes”, com professores improvisando espaços para ajudar os alunos a praticarem exercícios. Outra mostra que “presos em Nova Iguaçu praticam tai chi chuan e tênis de mesa, além de participar de sessões antiestresse”, com mudança radical no comportamento dos detentos, que também têm acesso a um projeto de alfabetização.
A receita, tão apregoada quanto lamentavelmente desprezada, é simples e não tem contraindicação. Esporte e alfabetização são potentes antídotos à ociosidade que deteriora corações e mentes nos presídios e na maioria dos abrigos. Mas, quando ainda existem tantas escolas sem direito ao esporte, bate uma imensa curiosidade: que milagre será feito em sete anos – ou cinco, levando em consideração a Copa?
Nas mãos das autoridades ligadas a saúde, educação, esporte e assistência social pode estar a redução – muito mais atrelada à vontade política do que a cifrões – de grande parte da violência nossa de cada dia. Deixemos nas mãos da polícia o controle das fronteiras por onde entram as armas que fortalecem o tráfico.
Assim sendo, não é demais frisar que somente um trabalho conjunto e competente de prevenção e de adequação aos métodos hoje empregados de combate às drogas, como o crack, vai de fato assegurar mais tranquilidade à cidade e impedir que o exército do tráfico cresça até 2016 e, quiçá, para sempre!
*Lidia Pena é jornalista e faz trabalhos voluntários com crianças dependentes de crack.
Fonte: O Globo
Veja mais sobre o crack.
Desabafo de um pai
Outubro 25, 2009 at 10:14 pm | In Artigos, Brasil | 1 Comment“Hoje vi uma pessoa boa se transformar num assassino”, lamenta o pai do rapaz viciado em drogas que enforcou a namorada
Bruno e Bárbara
(Imagens G1)
Pai do assassino da jovem Bárbara Calazans, de 18 anos, estrangulada neste sábado pelo namorado, Bruno de Melo, 26 anos, no apartamento do jovem, o produtor cultural Luiz Fernando Prôa lamenta que o filho tenha destruído duas famílias, “a da jovem e a dele, além de a si próprio”. Numa carta emocionada, enviada ao site do Globo às 6h da manhã deste domingo, dia seguinte ao crime, ele narra o drama que vem enfrentando há seis anos, desde que Bruno começou a se viciar em álcool, até chegar ao crack. Leia a íntegra do relato do pai:
“Meu filho começou na droga pelo álcool, no colégio, esta droga LEGAL com que a propaganda bombardeia nossas crianças e jovens todo dia, escancaradamente, e que produz milhares de mortes no trânsito, destrói lares, pessoas do bem e é, como se sabe, a primeira droga que os jovens experimentam. A maioria segue pela vida em maior ou menor grau se drogando com ela, o álcool, outros acabam provando das ilegais, sendo que uns fogem delas, outros se viciam numa espiral crescente e veloz. Em geral, passam pela maconha, vão na boca adquiri-la, e os comerciantes, felizes, lhes oferecem um variado cardápio, self-service: cocaína, crack, haxixe, êxtase, ácido…
Sei que há seis anos perdi meu filho para o crack, mas apesar das sequelas e problemas, ele nunca deixou de ser carinhoso e educado com todos, o que lhe granjeou um número sempre crescente de amigos.
“Dizem que vão gastar 100 milhões para equipar a polícia, mas e as vítimas diretas das drogas como ficam? E os jovens humildes atraídos pelos criminosos para seu exército? E os policiais mortos em combate nesta via indireta da guerra do tráfico? Está na hora de acabar a hipocrisia! “
Ele passou por várias internações – tinha, desde pequeno, outros problemas mentais que se exacerbaram com as drogas. Sempre que saia das internações ficava bem. Até encontrar os amigos, tomar umas cervejas e ai a coisa saía novamente de controle. Nestes tempos o vício, apesar de grave, ainda não tinha produzidos todos seus efeitos devastadores. Mas, com o tempo e a reincidência, o crack foi o devastando. Nos últimos tempos, dizia-se derrotado para o vício, vivia muito deprimido e voltara a frequentar o NA, Narcóticos Anônimos. Tentei de tudo para convencê-lo a se internar, mas vai pedir para um pinguço largar sua garrafa. É inútil. Ele foi cada vez mais descendo a ladeira. De mãos atadas, fiquei esperando pelo pior ou por um milagre, já que segundo os “especialistas”, que ditam as políticas públicas para o tratamento de drogas, o drogado tem de se internar por vontade própria.
A reportagem que o Brasil assistiu esta semana, da mãe que construiu uma cela em casa, para tentar salvar o filho viciado em crack, é bem representativa de como as famílias vítimas deste flagelo estão abandonadas pelo Estado, e se virando à própria sorte. É bem possível que ela seja punida por isso. Na mesma reportagem, uma psicóloga inteligente afirmava que o viciado em crack tem de vir voluntariamente para tratamento. Este é o método correto, segundo a maioria dos que estão à frente das políticas para esta área. Será que essa profissional é incapaz de entender o estrago que o crack/cocaína ocasiona nas mentes de seus dependentes? Será que ela é capaz de perceber o flagelo que o comportamento desses doentes causam sobre as famílias?
Um drogado, ou adicto, que já perdeu o senso de realidade e o controle sobre sua fissura, torna-se um perigo para a sociedade, infernizando a família, partindo para roubos, prostituição e até assassinatos, por surto ou por droga. Esperar que uma pessoa com a mente destruída por droga pesada vá com seus próprios pés para uma clínica é mera ingenuidade destes profissionais. O Estado tem de intervir nesta questão para preservar as famílias e os inocentes. A internação compulsória para desintoxicação e reabilitação destes doentes, que já perderam todo o limite, é uma necessidade premente. Ou será que todas as famílias que vivem esse problema terão de construir jaulas em casa?
“Meu filho destruiu duas famílias, a da jovem e a dele, além de a
si próprio. Queria sair do vício, mas não conseguia. Eu queria
interná-lo à força e não via meios. Uma jovem, a quem ele amava,
queria ajudá-lo e de anjo da guarda virou vítima”
Se meu filho fosse filhinho de papai, como falaram, eu já teria pago uma ou mais internações. Mas infelizmente o papai aqui não tem grana para isso, assim como a maioria das famílias vítimas deste, que insisto em reafirmar, flagelo.
Hoje vi uma pessoa boa se transformar num assassino, assim como aquele pai de família correto, que um dia bebe umas redondas, dirige, atropela e mata seis num ponto de ônibus.
As drogas, ilegais ou não, estão aí nas ruas fazendo suas vítimas diárias, transformando pessoas comuns em monstros e o Estado não pode ficar fingindo que não vê.
Dizem que vão gastar 100 milhões para equipar a polícia, mas e as vítimas diretas das drogas como ficam? E os jovens humildes atraídos pelos criminosos para seu exército? E os policiais mortos em combate nesta via indireta da guerra do tráfico? Está na hora de acabar a hipocrisia!
Meu filho destruiu duas famílias, a da jovem e a dele, além de a si próprio. Queria sair do vício, mas não conseguia. Eu queria interná-lo à força e não via meios. Uma jovem, a quem ele amava, queria ajudá-lo e de anjo da guarda virou vítima.
Ele irá pagar pelo que fez, será feita justiça, isso não há dúvida. O arrependimento já o assola, desde que acordou do surto do crack deu-se conta do mal que sua loucura havia lhe levado a praticar. Ele me ligou, esperou a chegada da polícia e se entregou, não fugindo do flagrante. Não passarei a mão na cabeça dele, mas não o abandonarei. Ele cumprirá sua pena de acordo com a lei, dentro da especificidade de sua condição.
“Este é um caso de saúde pública que virou caso de polícia”
Infelizmente, só consegui interná-lo pela via torta da loucura, quando já não havia mais nada a fazer, num surto fatal. Este é um caso de saúde pública que virou caso de polícia.
Que a família da Bárbara possa um dia perdoar nossa família por este ato imperdoável. Chorei por meu filho 6 anos atrás. Hoje minhas lágrimas vão para esta menina, que tentou por amor e amizade salvar uma alma, sem saber que lutava contra um exército que lucra com a proibição (que não minimiza o problema, pelo contrário, exacerba), por um bando de tecnocratas e suas teorias irreais, e para um Estado que, neste assunto, se mostra incompetente.
Luiz Fernando Prôa, o pai
Fonte: O Globo
Denuncie o tráfico de entorpecentes!
“Não deixe um traficante adotar o seu filho”!
Forneça o máximo de informações possíveis: local, ponto de referência, nomes, apelidos, placas de autos, motos, horários, etc.; tudo que julgar útil.
Gentileza gera gentileza
Outubro 25, 2009 at 3:08 am | In Artigos, Brasil, São Paulo | 1 CommentEstela Casagrande
Acompanho há algum tempo a história de uma dedicada mãe que depois que a filha foi vítima do sistema de sucção da piscina do condomínio onde moravam, ficando em coma vigil*, luta para que a história não se repita e para que os direitos mínimos de sua filha sejam respeitados. Odele, este é o nome da mãe, e Flavia, a garota que há onze anos saiu para brincar e teve os cabelos sugados pelo ralo da piscina emocionam a cada nova conquista.
Odele é uma guerreira, graças à sua luta algumas leis foram mudadas e os fabricantes mudaram modelos de piscinas. Para o tratamento de Flavia no entanto, a indenização não veio. E apesar de seu grito solitário, os sistemas de sucção continuam fazendo vítimas pelo Brasil e pelo mundo, como Odele registra em seu blog.
Mas de tudo o que a mãe devotada já fez, um fato me chamou a atenção. Odele conta em certo momento que Flavia, aos 8 anos era uma garotinha feliz e vaidosa e que gostava de manter seus cabelos compridos, chegando a pedir para que a mãe não deixasse que o cabeleireiro cortasse demais. Onze anos depois, Odele mantém os cabelos de sua filha longos, como ela gostava – e o mesmo cabeleireiro, Ary, há onze anos vai até sua casa uma vez por ano, em outubro, no dia de sua folga, para cortar os cabelos da menina, agora moça. Ary nunca aceitou pagamento pelo corte. Odele nunca desistiu de fazer a vontade da filha. E ela mesma conta: Até hoje eu e Ary respeitamos esse desejo de Flavia. E nesse grande e doloroso mistério que é o estado de coma, pode ser – é bem possível, que Flavia perceba que seus cabelos ainda são longos. E pode ser – é bem possível, que Flavia fique contente por isso.
Se você quer conhecer mais dessa história rodeada de gentilezas e de coragem pode ler em flaviavivendoemcoma.blogspot.com.
E de alguma forma, aderir a campanha de Odele pela segurança de nossas crianças, pois como eu sempre digo, não existe estatística que convença quando aquele um em um trilhão de pessoas é o nosso filho.
* Coma vigil é um estado de coma em que a pessoa dorme durante a noite e fica de olhos abertos durante o dia, sem contudo reagir a qualquer estímulo exterior.
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
O perigo dos boylovers na sociedade
Outubro 20, 2009 at 9:09 pm | In Artigos, Crimes | Leave a CommentLauro Monteiro
Há tempos vimos alertando sobre o perigo dos boylovers na sociedade. Ou seja, pessoas que têm predileção sexual por garotos e adolescentes menores de 18 anos. São indivíduos que apresentam uma perversão sexual e que arriscam-se e praticam o crime de abuso sexual com garotos para atender a sua compulsão. A maioria age silenciosamente e sobretudo através da Internet. Outros se reconhecem como boylovers, como é o caso do ministro da Cultura da França, Frédéric Mitterrand. Outros fazem apologia ao abuso sexual de garotos, considerado por eles como normal. É o caso de situações já denunciadas ou de e-mails anônimos que recebemos.
Como um alerta aos pais, sobretudo em relação à Internet, vamos reproduzir aqui trechos de um comentário anônimo, deixado no nosso site, de um indivíduo que reconhece ser um boylover e defende o seu direito de ser um boylover, ou seja, de praticar um crime previsto em lei.
Trecho 1:
“Meu amigo, uma coisa é um pedófilo e abusos sexuais, outra coisa é um boylover.
como o nome indica um boylover é um homem ou uma mulher adulta que se sente sexualmente atraida por rapazes de idades inferiores a 18 anos, indico também que muitos boylovers ou a maioria deles sao CONTRA o abuso sexual a crianças menores.”
Trecho 2:
“Um boylover fica tão apaixonado como qualquer outra pessoa, mas simplesmente por rapazes…”
Trecho 3:
“Como ouvi ja muitas vezes, os Boylovers são pessoas com distúrbios mentais, com algum problema mental ou trauma de infância, provavelmente foram violados quando eram mais novos.
Mais Uma vez, ideia COMPLETAMENTE ERRADA.”
Trecho 4:
“Está confirmado que cerca de 20% dos homens sentem-se sexualmente atraidos por rapazes.
As tentativas de “curas” em psicólogos etc.. tal como homossexuais, tal como boylovers, Sempre Falham.
Tão a ver o que se está a passar aqui?!
Tudo aquilo que se passou com os homossexuais, se está a passar AGORA com os Boylovers!
Se leu isto até ao fim, irá ter um novo pensamento sobre os Boylovers. Reparem, os boylovers são pessoas tão normais como você, os boylovers nasceram boylovers, não é uma escolha, mas sim, uma orientação sexual.”
Fonte: Não dá para ficar calado
Pedofilia: lidar com o impensável
Outubro 18, 2009 at 12:00 pm | In Artigos, Paraná | Leave a CommentRuth Bolognese
No começo da semana foi preso na Capital um estudante de Medicina, de 23 anos, acusado de pedofilia. A prisão foi resultado de um aparato digno de filme de James Bond, que começou nos EUA, com o FBI, que seguiu uma pista da Internet, alertou a Polícia Federal em Brasília e se concretizou na manhã de segunda-feira, na Faculdade de Medicina da UFPr. Logo de manhã agentes haviam ido até Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, onde o rapaz morava com a família, mas ele já havia saído para a escola.
Detalhes de como o crime era cometido foram divulgados, mas os nomes dos personagens mantidos em sigilo. O estudante, disse a polícia, se aproveitava da boa condição financeira familiar para atrair meninos do bairro onde morava e vinha abusando de um deles, filho de uma amiga da própria mãe, de 14 anos, há pelo menos 2 anos.
Os crimes de pedofilia, de abuso de menores, vêm sendo cada vez mais freqüentes no País e numa escalada que, a cada dia que passa, dá impressão que se aproximam mais e mais de nossos filhos e netos. Ou, numa definição mais precisa, a pedofilia começa a fazer parte da crônica policial brasileira, e mundial, porque a sociedade está mais preparada para admitir que o crime é mais comum do que se pensa, apesar de estarrecedor. E a Internet faz com que eles, os pedófilos, se reconheçam e se agrupem. Mas é um perigo ainda nebuloso, sem dimensão exata, diferente da violência diária das grandes cidades, que delimita bairros e regiões e onde as gerações da classe média urbana só se aproximam quando atraídas pela droga ou esporadicamente, para buscar ou levar a empregada doméstica para casa.A pedofilia, que chega sempre em forma de notícia, próxima ou distante, nos alarma, nos assusta, apavora até, mas ainda não sabemos lidar com ela.
No caso do estudante de Medicina de Campo Largo, bem falante e articulado, conforme as informações da polícia, que apreendeu computador de alta potência para armazenamento de imagens, e com arquivos comprometedores (eis aí a pista do FBI), há que se imaginar uma mãe, até então,orgulhosa do filho.Afinal, como estudante do curso mais concorrido do Paraná, mostrou esforço e inteligência para vencer a barreira do vestibular e se preparava para ser médico, um profissional que honra qualquer família. Jovem, 23 anos apenas, não se enquadra no perfil do pedófilo das fichas criminais, ou da nossa imaginação habitual, sempre um homem mais velho, taciturno, amedrontador. É a outra face do crime. E aí, justamente nesta questão criminal, outra dúvida nos assola: a cadeia brasileira, estes depósitos de criminosos de todos os matizes, com as características atuais de violência, corrupção, etc, etc,é o lugar para pedófilos cumprirem suas penas temporárias? Sim, porque como já demonstraram as pesquisas nesta área, pedófilos são reincidentes no crime e, geralmente, são presos bem comportados e, como tais, conseguem redução de pena e aí temos um pedófilo nas ruas, com a agravante da passagem por uma cadeia brasileira. Por todos os ângulos que se observe, lidar com a pedofilia no Brasil ainda é um tabu. E vai demorar até que se consiga encontrar o melhor caminho para enfrentar, pra valer, o problema. Só que ele existe e continua aí, ameaçando.
Fonte: Tribuna do Interior
Apressando a vida
Outubro 17, 2009 at 1:17 am | In Artigos | Leave a CommentRosely Sayão
O avião em que viajo finalmente pousa. Cautelosa, espero que a aeronave pare totalmente para relaxar por saber que cheguei sã e salva. Estou sentada numa poltrona do corredor e prefiro esperar as portas se abrirem para levantar. Não consigo: sou atropelada por um senhor, com terno de corte fino, que estava sentado ao lado da janela e tem pressa.
Ele nem sequer pede licença para passar ou espera que eu me levante: simplesmente passa por cima de minhas pernas. Aguardo um pouco e, quando a fila caminha em direção à saída, tento sair. Dura empreitada essa: ninguém está disposto a dar passagem porque isso significa chegar atrás, mais tarde. Segundos apenas, mas mais tarde. Encontro-me com quase todos os companheiros de viagem no ônibus que nos leva até o saguão do aeroporto e enfrento a mesma dificuldade para dele descer e chegar à esteira onde pegarei minha bagagem. Estão lá, os apressados, e vão esperar comigo a mala chegar.
A pressa tomou conta de nossas vidas. Corremos desde que acordamos. O banho é rápido -além de tudo, é preciso economizar água e energia-, o café da manhã é tomado com a leitura do jornal ou outra atividade qualquer, os filhos são empurrados para o carro e, com toda a velocidade, enfrentamos o trânsito emperrado para chegar ao nosso destino. É no trânsito, principalmente, que constatamos a pressa de quase todos: é difícil sair da garagem, já que poucos se dispõem a esperar alguns segundos para dar passagem. Passar de uma pista para outra é tarefa para piloto de Fórmula 1: poucos deixam ser ultrapassados.
As crianças percebem desde cedo a nossa correria e a adotam. Quando bebês, os primeiros passos são dados apressadamente para garantir um equilíbrio ainda em desenvolvimento. Daí em diante, é difícil ver crianças andando: correm sem motivo nenhum. E nós, em nossa pressa, achamos natural que corram dentro de casa, na escola, onde as levamos.
Incentivamos a corrida sem fim dos mais novos: queremos que aprendam tudo rapidamente e cedo, de preferência sem exigir muito de nossa parte para que não atrapalhem a nossa própria corrida. É no futuro deles que pensamos? A justificativa que assumimos foi essa. Mas, pensando bem, ela pode ser uma desculpa que construímos para adequar o papel educativo ao estilo de vida corrido que adotamos. Afinal, estimulando e empurrando os mais novos para essa corrida, tantas vezes desrespeitamos etapas de suas vidas, ritmos pessoais etc.
Aonde precisamos chegar com tanta pressa? Ao pensar nessas questões, ocorre-me o personagem do filme “Forrest Gump”, que, em determinado momento de sua vida, decide correr. Ele simplesmente corre: sem motivo, sem destino.
Para que não façamos o mesmo, precisamos nos perguntar diariamente: “Por que estou correndo? Será que poderia realizar a mesma coisa com mais calma e melhor?”. Desse modo, certamente poderíamos diminuir nosso alto grau de estresse, dedicar mais tempo aos filhos e, assim, ter uma vida melhor com e para eles.
E que tal combater o trabalho infantil por setores?
Outubro 12, 2009 at 1:46 am | In Artigos | Leave a CommentAlceu Castilho
Os EUA identificaram 11 setores da economia brasileira que se utilizam do trabalho infantil. A reação do governo brasileiro foi movida a orgulho: o Itamaraty disse não reconhecer a legitimidade do relatório produzido pelo Departamento do Trabalho americano. Faria melhor o Brasil caso se movesse pela vergonha, e não pelo orgulho. E enxergasse na divisão por setores uma oportunidade de repensar o combate ao problema.
Não custa lembrar que quase 5 milhões de crianças e adolescentes trabalham no Brasil. A novidade do relatório estadunidense é a identificação por setores. Vamos a eles: abacaxi, algodão, arroz, calçados, carvão, cerâmica, gado, mandioca, produção de tijolos, sisal e tabaco. No caso do carvão e do gado há um agravante: trabalho forçado. Infantil e forçado. (No caso da cana-de-açúcar e da madeira haveria trabalho forçado, mas não infantil.)
Os diplomatas consideraram que os Estados Unidos se moveram por motivos protecionistas. Longe de nós imaginar que eles não tenham interesse econômico nenhum. Mas bobagem supor que inventaram tudo – não sabemos que há trabalho infantil em quase todos ou todos esses setores? E mesmo em outros que eles não enumeraram? (Trabalho doméstico, futebol, venda de produtos nas ruas, talvez a própria cana-de-açúcar, o tráfico…)
O Brasil fracassou no combate ao trabalho infantil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu erradicar o problema antes de assumir o governo. Repito: er-ra-di-car. Vamos para o fim de seu segundo mandato e o tema não virou prioridade nacional. Continuamos na casa dos milhões de crianças ou fora das escolas, ou nelas dormindo, porque trabalham. Com que direito, então, vamos torcer o nariz para um relatório de tamanha importância? Repito: com que mínima noção de direito?
Melhor seria refazer as metas. E, por que não, dividi-las por setores. Assim, teríamos um ano para erradicar o trabalho infantil nos sisais – algo nada menos que horripilante. Dois anos para erradicar o trabalho infantil nas carvoarias. E assim por diante, com metas plausíveis – mas não distantes demais. E desprovidas de cinismo. Quem sabe poderíamos oferecer ao mundo – seja ao Departamento do Trabalho dos EUA, seja à OIT – resultados concretos. Algo mais do que palavrório e reações amuadas.
E, claro, às nossas crianças, dignidade.
Fonte: Agência Repórter Social
Matéria relacionada:
Itamaraty rejeita relatório dos EUA sobre trabalho infantil
Blog no WordPress.com. | Theme: Pool by Borja Fernandez.
Entries and comments feeds.





















