Vergonha: Prefeito de cidade paulista é flagrado pedindo propina para fazer obra

Novembro 4, 2009 at 9:06 am | In Brasil, Crimes, São Paulo, Vídeos Ilustrativos | Leave a Comment

O prefeito de uma cidade do interior paulista é suspeito de exigir propina na execução de uma creche. Ele pede R$ 8 mil a um construtor, que fez a denúncia da irregularidade.

Assista à reportagem do Jornal Nacional:

 

Abuso sexual contra crianças se perpetua

Novembro 4, 2009 at 8:06 am | In Brasil, Paraná | Leave a Comment

Legislação teve avanços, mas casos continuam sendo desafio. Só no Paraná, a cada ano são registradas, em média, mil denúncias nos conselhos tutelares

Um ano depois do assassinato da estudante Rachel Genofre, o combate a crimes sexuais cometidos contra crianças e adolescentes ainda é um desafio para o Brasil. Apesar dos avanços, como a alteração no Código Penal – que aumentou a pena desse tipo de crime – meninos e meninas continuam sendo vítimas. No Paraná, são registradas a cada ano, em média, mil denúncias aos Conselhos Tutelares. Em Curitiba, o retrato dessa triste realidade se confirma: na vara especializada de crimes contra a infância, existem 900 inquéritos e 250 processos. Desses, 90% estão relacionados a violência sexual e 90% são cometidos contra crianças menores de 12 anos.

Os dados revelam a gravidade desse tipo de crime e mostram porque é difícil combatê-lo: a família, em muitos casos, é conivente. Nos casos do abuso, na maior parte das vezes, o abusador é uma pessoa conhecida da criança, sendo em muitas situações os próprios pais ou padastros. Em relação à exploração sexual comercial, quando os familiares não são os agenciadores, muitas vezes, sabem da situação e tiram proveito econômico dela.

Para especialistas, o grande problema é a falta de políticas que atuem na prevenção e tratamento dos abusadores. Mesmo que o criminoso cumpra a pena, se não for tratado, quando sair haverá um grande risco de reincidência. A socióloga baiana Marlene Vaz, que há mais de 30 anos estuda essas temáticas, afirma que a maior dificuldade hoje é a aplicação das políticas públicas. Ela argumenta que ações simples já trariam grandes resultados. Marlene propõe, por exemplo, que os agentes de saúde sejam capacitados para identificar casos de abuso. Eles frequentam a residência das pessoas atendidas e participam da rotina familiar. “São iniciativas que não trariam mais custos ao governo. Mas sinto como se estivesse pregando no deserto. Para que eu me estimule novamente, o poder público terá de me surpreender.”

A presidente da Comissão da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Paraná, Márcia Caldas, afirma que mesmo com os avanços na legislação, não existe retrocesso no número de vítimas. “Ainda faltam programas eficientes que tratem os meninos e meninas e suas famílias.” Outro agravante é que existe um forte comércio em torno desses crimes, envolvendo quadrilhas especializadas. “Estudos mostram que o tráfico de pessoas é o segundo mais lucrativo, ficando atrás apenas do tráfico de armas. Estamos apenas no início da luta.”

O desafio para combater esse crime passa também pela falta de estrutura da polícia e do Poder Judiciário. Faltam delegacias especializadas e varas destinadas à infância.

A 12.ª Vara de Crimes Contra a Criança e Adolescente, em Curitiba, representa uma exceção no país. Com a criação do órgão, a maioria dos processos é julgada em até seis meses e os criminosos são punidos mais rapidamente. Além disso, uma equipe multidisciplinar aplica uma técnica para ouvir a criança sem causar novos traumas e evita que ela tenha de ficar cara a cara com o agressor. “Mesmo assim, a fase investigatória é deficiente e nesses crimes, que têm uma dinâmica própria. Precisamos de rapidez”, afirma o juiz Eduardo Lino Bueno Fagun­des Júnior.

No Conselho Tutelar do Pi­­nheirinho, somente no primeiro semestre deste ano, ocorreram 198 denúncias relacionadas a crimes sexuais. “Perce­bemos um aumento no número de vítimas, mas faltam políticas para irmos além. Há, por exemplo, uma lacuna na punição dos agressores”, diz a conselheira Juliana Guerra. Lá o quadro também se confirma: a maior parte dos abusadores são conhecidos das crianças. “Os meninos e meninas precisam de tratamento. Mas em Curitiba só existe um Centro de Referência Espe­cializado de Assistência Social (Creas) destinado a essas vítimas, que fica no Cristo Rei. As famílias mais pobres não têm condições de ir até lá semanalmente e desistem.”

O coordenador Regional da Associação Brasileira de Ma­­gistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Juventude (ABMP), juiz Richard Pae Kim, afirma que uma forma de coibir esses crimes é a punição, mas ela esbarra na aplicação da legislação. “Não considero a lei branda. Mas precisamos fazer com que seja aplicada. Por isso, é importante que a sociedade denuncie e que a polícia tenha condições de encontrar o violador, a fim de que o sistema de Justiça possa aplicar as penalidades.”

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Novas leis e mais denúncias

Houve avanços no combate aos crimes sexuais contra crianças. No último ano, uma alteração na legislação aumentou as penas. Além disso, o número de denúncias que chegam ao poder público vem aumentando, o que indicaria maior conscientização da sociedade. No Congresso Nacional, a CPI que investiga a pedofilia também propôs mudanças na lei e os parlamentares investigam denúncias em todo o país.

Márcia Caldas, da Comissão da Criança e do Adolescente da OAB, ressalta que o aumento no número de denúncias por parte da população é uma grande vitória. “Como a maior parte acontece dentro de casa, parece que as pessoas não queriam se intrometer. Essa ideia está mudando.” Dados do Disque Denúncia Nacional mostram que apenas no primeiro semestre de 2009 foram feitas 92 ligações por dia, contra 12 telefonemas diários em 2003. Em seis anos, a central recebeu 2,3 milhões de telefonemas e 100 mil denúncias.

Neste semestre, o Paraná passou a fazer parte do Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil (Pair), uma iniciativa da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH). O Pair tem o objetivo de mapear a rede de proteção, apontar os pontos frágeis e criar alternativas locais para combater o problema.

A Secretaria de Estado da Criança e da Juventude organizou a realização de 12 seminários sobre o tema. A ideia é que o atendimento à infância seja descentralizado e possa atender as especificidades de cada local. “Estamos dando instrumentos aos municípios para trabalhar em rede, articular parceiras e melhorar a comunicação”, diz a psicóloga e técnica da Coordenação de Ações Protetivas da Secj, Ticyana Paula Begnini. Ela argumenta que o importante é denunciar, mesmo que haja somente a suspeita. “Quem denuncia não precisa ser identificado e não tem a obrigação de provar nada. Isso é tarefa da polícia.”

CPI resulta em mudanças

A Comissão Parlamentar de Inquérito da Pedofilia foi criada em março de 2008 e propôs diversas alterações na legislação para aumentar a pena para crimes sexuais. Os senadores também investigaram casos de pedofilia em várias cidades do Brasil. Uma das ações da CPI foi criar um termo de mútua cooperação com empresas de cartões de crédito para coibir a compra de pornografia pela internet.

Os senadores também fizeram um acordo com o grupo Google, que controla o site de relacionamentos Orkut, para quebrar mais rapidamente o sigilo de informações vinculadas a suspeitos de pedofilia. A empresa deverá encaminhar os dados à Polícia Federal e mantê-los guardados por seis meses. Com as empresas telefônicas, o acordo prevê o repasse de dados mais rapidamente.

A CPI aprovou uma alteração no Estatuto da Criança e do Adolescente que torna mais rígida a punição para quem portar material pornográfico. Também há projetos que preveem a extradição de pedófilos e a proibição de que pessoas condenadas por crimes sexuais entrem no Brasil.

Fonte: Gazeta do Povo

PM herói conhece os pais do bebê que ajudou a salvar

Novembro 4, 2009 at 7:01 am | In Bauru, Brasil, Solidariedade, São Paulo, Vídeos Ilustrativos | 1 Comment

Bauru – Depois de viver momentos de desespero, a família conseguiu salvar a filha de dois meses graças às orientações fornecidas pelo atendente do 190, da Polícia Militar.

Assista à reportagem do Jornal da Record:

Conselho Federal de Psicologia aponta falta de estrutura para cumprir nova lei da adoção

Novembro 4, 2009 at 12:38 am | In Brasil, Leis | Leave a Comment

Entrou em vigor ontem (3) a Lei nº 12.010, de 3 de agosto de 2009, que muda as regras de adoção de crianças e adolescentes. A lei traz avanços como disciplinar a adoção por famílias estrangeiras e permitir que maiores de 18 anos (até então apenas os maiores de 21 anos), independente do estado civil, e até mesmo casais já separados, possam adotar um filho.

Apesar do avanço, a norma é omissa quanto à possibilidade de casais homossexuais adotarem uma criança ou adolescente. A nova lei apenas descreve que, “para adoção conjunta, é indispensável que os adotantes sejam casados civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família”.

Para a representante do Conselho Federal de Psicologia, Iolete Ribeiro da Silva, a omissão da lei faz com que cada caso de adoção por famílias de pais homossexuais fique a critério do juiz responsável pelo processo na Vara de Infância e Juventude.

A psicóloga assinala também que falta estrutura no Poder Judiciário para que a lei seja cumprida. “A estrutura é precária e inoperante”, diz  ela, afirmando que faltam profissionais (assistentes sociais e psicólogos, especialmente) para analisar os processos, fazer triagem de famílias e executar outros procedimentos necessários à adoção. Segunda a nova lei, “a permanência da criança e do adolescente em programa de acolhimento institucional não se prolongará por mais de dois anos”.

Iolete ainda aponta que os estados e municípios ainda não implementaram o Plano Nacional de Promoção, Defesa e Garantia do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária, aprovado há cerca de três anos pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).

“Não haveria necessidade de uma lei de adoção se o plano tivesse sido de fato implementado”, disse Iolete à Agência Brasil, acrescentando que, além do Judiciário, os governos estaduais e as prefeituras precisam fazer investimentos para melhorar o acolhimento de crianças e adolescentes e fazer tornar a adoção mais ágil.

Dados do Cadastro Nacional de Adoção, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), informam que há cerca de 3.,5 mil crianças e adolescentes aguardando pela adoção e mais de 22 mil pessoas dispostas a adotar. Cerca de 80% das famílias interessadas, no entanto, procuram filhos adotivos de até 3 anos -  apenas 7% das crianças cadastradas ainda estão nessa faixa etária.

“A lei não vai mudar isso. Essa preferência tem razões culturais eé necessário um processo educativo para mudar”, disse a psicóloga ,apontando a necessidade de políticas sociais para estimular a adoção de crianças mais velhas e adolescentes.

Fonte: Agência Brasil

Veja também:

O que o destino me mandar…

Entrevista com o senador Magno Malta

Novembro 3, 2009 at 11:49 pm | In Brasil, Entrevistas, Leis, Vídeos Ilustrativos | Leave a Comment

O Senador Magno Malta fala sobre a segurança pública, narcotráfico e violência contra a criança no programa Brasil Urgente.

 

Prostituição infantil: drama na beira da estrada

Novembro 3, 2009 at 8:11 am | In Brasil | Leave a Comment

Renato Machado e Vitor Hugo Brandalise

Há 1 ponto de exploração sexual infantil a cada 26 km de rodovias

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Polícia Rodoviária Federal mapeia 1.819 lugares vulneráveis no País, em que crianças se oferecem por até R$ 2

Seja para comprar comida ou fumar crack, o fato é que milhares de crianças e adolescentes estão espalhados pelas rodovias federais brasileiras oferecendo os corpos por até R$ 2. No Brasil, há um ponto vulnerável à exploração sexual infantil a cada 26,7 quilômetros – isso considerando apenas os locais em que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) já flagrou ou recebeu denúncia de menores de 18 anos submetidos à prostituição.

Mapeamento da PRF apontou a existência de 1.819 pontos “vulneráveis” para a exploração sexual de menores nas estradas. São postos de combustíveis, bares, boates, restaurantes ou mesmo acostamento. Trata-se da quarta edição do mapeamento feito pela PRF em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), mas os dados gerais pouco variaram em relação à edição de 2007, com Minas e Rio Grande do Sul encabeçando a lista em número de pontos, com 290 e 217 respectivamente – os dois Estados, no entanto, têm grandes malhas viárias federais. Levando em conta quantidade e extensão das vias, os piores são Distrito Federal, Rio Grande do Norte e São Paulo.

Em São Paulo, há um ponto vulnerável a cada 14,8 quilômetros. Somente nos Vales do Ribeira e do Paraíba, apontados pela PRF como mais problemáticos, há 46 pontos vulneráveis. Mas o problema existe em todas as rodovias federais do Estado. Na semana passada, a reportagem flagrou, numa boate na Rodovia Fernão Dias, região de Mairiporã, um exemplo disso. Por preços que variavam entre R$ 30 e R$ 50, uma garota de 17 anos dizia fazer programas “há oito meses”, para criar os dois filhos, que deixara numa cidade de Minas. Também usava o dinheiro para comprar maconha e, “ultimamente”, crack.

A PRF agora vai utilizar os dados do mapeamento para dividir os locais em graus de vulnerabilidade, em parceria com o Instituto WCF Brasil. O resultado, desta vez, não será divulgado. “Achávamos que o conhecimento dos locais inibiria a atuação de criminosos. Mas constatamos que não inibiu e provocou migração para outros pontos”, afirma o presidente da Comissão de Direitos Humanos da PRF-SP, Waldiwilson dos Santos. “Vamos manter sigilo para não atrapalhar as operações.”

Mesmo após constatar a situação, a conexão com outros órgãos continua falha – somente a PRF tem o levantamento, impossibilitando cruzamento de dados. Das polícias rodoviárias estaduais, apenas a de Pernambuco manifestou interesse em fazer o mapeamento.

”É preciso haver coordenação entre quem combate”

A coordenação entre órgãos de combate a exploração sexual infantil é o ponto crucial para a solução do problema, apontam entidades de defesa dos direitos humanos . “É preciso acabar com esse vácuo na orientação dos procedimentos. Há o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e também uma rede de órgãos e entidades a ser utilizados”, afirma Edmílson Selarin Júnior, coordenador da Fundação Orsa, que se dedica a combater a exploração. “É preciso esclarecer como denunciar e também que haverá encaminhamento no fim.”

Alguma iniciativas começam a ser tomadas. A partir do ano que vem, a PRF vai realizar campanhas de conscientização nas estradas, com o Instituto WCF. Uma cartilha está sendo concluída e será distribuída aos caminhoneiros. Também foi criado neste ano um grupo de atuação no Ministério Público para tratar especificamente da questão.

Entre as causas detectadas para a exploração estão a necessidade de geração de renda, imposição familiar e maus-tratos que levam os menores a saírem de casa. Uso de drogas também é ponto crucial, segundo pesquisa recente do WCF.

Postos em rotas de viagem preocupam PRF

Sobretudo em regiões periféricas e pobres, cresce o número de registros de exploração

A distribuição dos pontos vulneráveis à exploração sexual infanto-juvenil expõe conexões com as rotas dos viajantes e com bolsões de pobreza pelo País. Existem 290 áreas críticas apenas em Minas, e oito rodovias federais, incluindo as de maior tráfego – como a BR-040 e a BR-381, que ligam Belo Horizonte ao Rio e a São Paulo, respectivamente -, estão no mapa da prostituição. Em segundo lugar no ranking por Estados vem o Rio Grande do Sul, onde a preocupação é sobretudo com os postos de combustível.

Na lista de pontos vulneráveis da PRF-RS há 98 boates, 54 postos de combustíveis, 26 motéis, 12 bares e 20 postos fiscais, paradas de ônibus, hotéis, borracharias, viadutos e salões de festa. Nos postos, no entanto, os aliciadores, as crianças e os motoristas têm mais facilidades para ludibriar a fiscalização. “Há meninas e meninos orientados para isso”, observa o inspetor Alessandro Castro, chefe da Comunicação Social da Polícia Rodoviária Federal.

Embora sem estatísticas a respeito, o inspetor observa que os casos de “reincidência” também aparecem nos postos. Isso ocorre quando as crianças, depois de passarem pelo Conselho Tutelar e de enfrentar agruras em casa, onde são vítimas de maus-tratos e até abusos sexuais, voltam a se prostituir. A concentração de casos é maior na periferia de cidades por onde passam rodovias de grande fluxo de transportes, como Osório, Vacaria, Erechim e Frederico Westphalen, todas próximas da divisa com Santa Catarina, além de Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, e da Região Metropolitana de Porto Alegre.

Com base em levantamento parecido com o da PRF, no ano passado foi possível à Justiça mineira realizar a Operação Anjos de Minas. Após identificar áreas suspeitas, a promotoria da comarca de Divinópolis, por exemplo, conseguiu mandados de prisão preventiva e busca e apreensão. “Entramos de quarto em quarto nos lugares suspeitos”, relata o promotor José Carlos Fortes. No entanto, a maior parte dos detidos acabou solta, “em consequência de deficiências na lei”.

Para Fortes, o resultado mais importante não é “processual”. “A publicidade sobre a ação do Ministério Público inibe a prática desse tipo de crime pelos donos dos estabelecimentos e também pelos pais.” Isso porque grande parte das crianças e adolescentes é levada para o comércio do sexo pela própria mãe que, geralmente, também foi explorada quando criança.

“A exploração sexual e a miséria também estão intimamente ligadas”, destaca o promotor. “Enquanto não combatermos a miséria, que é uma questão de longo prazo, não resolveremos a questão da exploração.” Segundo ele, os 290 pontos de vulnerabilidade levantados pela PRF coincidem com as periferias de cidades mineiras de médio porte. Já os serviços de assistência social da Região Metropolitana de Porto Alegre detectaram casos de prostituição de crianças de bairros pobres cortados pela BR-116.

Vício faz criança cobrar R$ 2 por sexo

Na Dutra, há 37 pontos de possível exploração sexual, com destaque para áreas em que o abuso está ligado ao crack

O caminhão mal reduz a velocidade para entrar no posto de gasolina e algumas pessoas começam a caminhar ao lado da cabine, oferecendo sexo ao motorista. No meio delas, uma menina de pernas finas, vestindo uma saia colegial vermelha e jaqueta rosa com capuz, disputa espaço para fazer a oferta. Prostitutas e travestis dizem que os valores mais baixos são os dela e de outras seis ou sete menores de idade, que fazem programas no km 52 da Via Dutra, em Lorena, no Vale do Paraíba. Isso porque elas só precisam conseguir R$ 5 para depois andar 10 metros e comprar um “caroço” de crack.

A chegada da droga à cidade, há cerca de cinco anos, é apontada por policiais, comerciantes e integrantes do Conselho Tutelar como a principal causa para o aumento na exploração de menores. O trecho de Lorena sempre foi um conhecido ponto de prostituição. “Mas agora temos dificuldades com algumas menores que ficam na estrada, o que não havia antes”, afirma Bitencourt Marins Neto, integrante do Conselho Tutelar. Marins Neto diz que há nesses grupos meninas de até 14 anos, recolhidas frequentemente pelas autoridades. “Elas não se encaixam nos casos de pessoas retiradas da família por causa de maus-tratos. Elas têm casa. Mas estão nessa situação por causa do vício.”

O grupo de meninas passa as madrugadas reunido em frente a um posto de gasolina, esperando os caminhoneiros, ao lado de garotas de programa e travestis. Uma grande construção abandonada – que tem só telhado e pilares – também é usada como refúgio, principalmente para fumar crack. A reportagem do Estado permaneceu cerca de três horas na região, na madrugada de sexta-feira, período em que havia cerca de 15 pessoas oferecendo programas. Pelo menos quatro aparentavam ter menos de 18 anos.

Uma delas era Y, a menina de jaqueta rosa, que disse ter 17 anos. A maior parte do tempo ficou com o grupo na construção abandonada. No local escuro, de vez em quando pequenas luzes se acendiam, indicando o consumo de crack. Constantemente, as pessoas saíam de lá para oferecer programas para caminhoneiros. Após conseguir dinheiro, voltavam para consumir a droga.

“De uns cinco anos para cá, dificilmente passamos uma semana sem apreensão de crack”, afirma o titular em exercício na Delegacia de Lorena, José Willy Giaconi Júnior.

Prostitutas e travestis reclamam das meninas mais novas e dos viciados. “Elas cobram até R$ 2, aquelas meninas sujas que nem tomam banho”, conta uma garota de programa de 24 anos. Ela afirma que o grande consumo de drogas afugentou caminhoneiros que costumavam dormir no posto. Sua meia-irmã, menor de idade, também já faz programas, por causa do vício pelo crack. “Ela e as outras ficam brigando por clientes.”

O mapeamento da PRF apontou 37 pontos de possível exploração de menores. Há garotas de programa e travestis nos trechos de São José dos Campos, Guaratinguetá e até da religiosa Aparecida. Os mais conhecidos são Lorena e Canas, onde em um posto param em média 50 caminhões por noite. As garotas de programa circulam entre os caminhões. Em média, o programa sai por R$ 20.

”A rotatividade é comum. Uma influencia a outra” , diz conselheira

Nenhuma das cidades atingidas tem política específica

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Ainda não são 18 horas. Com pés descalços, a garota corre para atravessar a rodovia, em direção a um posto de gasolina no km 500 da Régis Bittencourt, no município de Cajati, Vale do Ribeira. Ali, ela encosta em um muro e aguarda – até ser chamada, com um aceno, por um caminhoneiro, para que suba na cabine do veículo, estacionado no posto. A menina, R., conhecida do Conselho Tutelar da cidade, tem 16 anos e é vista nas estradas desde os 13. Na cabine do caminhão, ela fica 50 minutos. Quando sai, ainda de dia, outras duas garotas, de 15 e 16 anos, se aproximam do mesmo ponto, para oferecer o mesmo serviço.

R., L. e E. são três das 75 menores atendidas pelo Conselho Tutelar de Cajati, envolvidas em denúncias de exploração sexual na cidade. Somente entre janeiro e agosto, houve 443 atendimentos referentes a exploração ou violência sexual no município. “Não conseguimos coibir. Levamos as meninas às famílias e explicamos o problema, mas logo elas voltam às estradas”, diz a coordenadora do Conselho Tutelar da cidade, Andréa Pontes.

Cajati, de 29 mil habitantes, é um dos casos preocupantes do Vale, com quatro pontos vulneráveis. Num deles, um ponto de ônibus na beira da estrada, costuma ficar J., de 16 anos, cuja irmã, de 12, também já foi vista no mesmo lugar. “A rotatividade é comum, uma influencia a outra. É frustrante”, diz Andréa.

Em 116 km de vias federais no Vale, há 25 pontos vulneráveis a exploração sexual infantil, um a cada 4,6 km. Jacupiranga, Registro e Juquiá são outras cidades onde há o problema. “A dificuldade é dar flagrante, porque as meninas pegam carona e depois param em postos de gasolina. Não há como flagrar o que fizeram no caminho”, diz o inspetor Juarez Cardoso, da PRF na área. “Quando intensificamos as operações, elas migram para outros pontos.”

Em nenhuma das cidades mais atingidas há política de combate a exploração sexual – o enfrentamento é dos Conselhos Tutelares, com poucos conselheiros para muitos casos. “Sem ajuda das prefeituras, os conselhos não dão conta”, diz o promotor Yuri Castiglione, responsável por operações na região. “Operações paliativas não trazem melhorias efetivas.”

Fonte: O Estado de S. Paulo

Movimento defende delegacias especializadas em desaparecimentos

Novembro 3, 2009 at 12:18 am | In Brasil | Leave a Comment

A coordenadora do Movimento Nacional em Defesa da Criança Desaparecida do Paraná, Marília Regina Pombo Marchese, propôshoje, em audiência na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Desaparecimento de Crianças e Adolescentes, a criação de delegacias especializadas para investigar o desaparecimento de pessoas.

Ela argumenta que as estatísticas não refletem os números exatos de crianças e adolescentes desaparecidos. Segundo ela, muitas mães nem denunciam à polícia quando ocorre o desaparecimento de filhos, uma vez que não podem sustentá-los e educá-los.

A relatora da CPI, deputada Andreia Zito (PSDB-RJ), afirmou que seu relatório deve adotar, como uma de suas principais sugestões, a criação das delegacias especializadas em desaparecimentos em cada estado. Ela argumenta que essa é uma reivindicação que tem chegado à comissão pelos participantes das audiências públicas

Prevenção
Marília Marchese ainda defendeu a inclusão, no currículo escolar do ensino básico, de palestras preventivas para crianças e adolescentes sobre os perigos de sequestro de menores.

Para a dirigente, o trabalho preventivo, com orientações básicas e simples, tem baixo custo para o Estado e pode conscientizar as crianças. A coordenadora defendeu também o trabalho de prevenção em parceria com concessionárias de rodovias, que poderiam divulgar nos recibos dos pedágios fotografias de crianças desaparecidas. “Além do trabalho da polícia, o Estado precisa ter total responsabilidade sobre as crianças porque o direito de ir e vir das crianças e adolescente não é totalmente percebido por eles.”

Marchese destacou a importância do trabalho da mídia, que deveria divulgar casos de desaparecimento, não apenas quando ocorrem, mas lembrar frequentemente os casos não solucionados. A coordenadora ressaltou que há crianças sendo levadas ao exterior, violentadas, prostituídas ou mortas. Marília Marchese ainda sugeriu a delação premiada como medida para chegar a pedófilos e traficantes de crianças e bebês para adoção.

Fonte: Portal da Câmara dos Deputados

As melhores iniciativas do Congresso, segundo os jornalistas

Novembro 2, 2009 at 9:52 am | In Brasil, Brasília | Leave a Comment

A nova Lei da Adoção, a CPI que investiga a pedofilia, a proposta que acelera o divórcio, a regulamentação de mototáxi e a liberação da campanha eleitoral na internet são, em ordem decrescente, as cinco melhores contribuições do Congresso no ano, na avaliação de jornalistas que cobrem o Parlamento.

O internauta tem até o dia próximo dia 19 para definir aquela que, em sua opinião, foi a melhor iniciativa de deputados e senadores em 2009, na finalíssima do Prêmio Congresso em Foco. Até o momento, a liberação da campanha na internet tem a preferência dos votantes (veja o resultado parcial).

Leia reportagem completa no Congresso em Foco

Fonte: Último Segundo

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