Pesquisa propõe mudanças para transporte escolar da zona rural
Novembro 4, 2009 at 12:21 am | In Brasília | Leave a CommentAtoleiros, estradas em más condições de tráfego, veículos inadequados, crianças que passam até 8 horas por dia dentro de um ônibus para conseguir chegar à escola. Essa foi realidade encontrada por 30 pesquisadores do Centro de Formação de Recursos Humanos em Transportes da Universidade de Brasília (Ceftru/UnB).
Eles percorreram 50 mil km para testar os ônibus escolares que são fornecidos a municípios da zona rural pelo programa Caminhos da Escola, do governo federal. O relatório final, entregue hoje (3) ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), sugere algumas mudanças nos veículos para garantir mais segurança e conforto aos alunos.
A equipe foi acompanhada por representantes indústria responsável pela produção dos veículos. Por esse motivo, os próximos modelos já seguirão as recomendações dos pesquisadores. Entre as principais delas, estão a melhoria do sistema de ventilação, vidros escurecidos para melhorar o conforto interno, vedação de buracos para impedir a entrada de poeira e nova localização para as portas de acesso.
“Também aumentamos a altura do veículo em relação ao solo para facilitar a transposição de obstáculos, colocamos o pneu de uso misto, também próprio para a terra. Ele também tem um bloqueio que não trafega com a porta aberta e nem acima da velocidade de 70 km/h”, explicou o gerente da pesquisa, Willie Carvalho.
Outro problema identificado foi a falta de manutenção preventiva dos veículos. “A assistência técnica das montadores ainda é restrita em determinadas regiões do país. É preciso levar ela a outros locais para garantir que o veículos em dois ou três anos não estejam mais em condição de trafegar.”
A pesquisa analisou 53 rotas em 16 municípios. Em quase 92% delas, há “eventual” ou “constante” ocorrência de defeitos na estrada. Carvalho apontou que a melhoria das vias é essencial para reduzir o tempo das viagens.
“As crianças passam muito tempo dentro dos ônibus, às vezes quatro horas para ir a escola e mais quatro para voltar. Isso é muito influenciado pela condição da via. O processo de capacitação de quem faz a manutenção dessa via também precisa ser melhorado”, afirmou Carvalho.
O coordenador-geral do Caminhos da Escola, José Maria Souza, disse que as alterações propostas serão consideradas nas próximas ações do programa. “Na medida em que o aluno fica muito tempo em um veículo que não são adequados, essas mudanças podem melhorar muito o processo de ensino e aprendizagem”, acredita.
Fonte: Agência Brasil
As melhores iniciativas do Congresso, segundo os jornalistas
Novembro 2, 2009 at 9:52 am | In Brasil, Brasília | Leave a CommentA nova Lei da Adoção, a CPI que investiga a pedofilia, a proposta que acelera o divórcio, a regulamentação de mototáxi e a liberação da campanha eleitoral na internet são, em ordem decrescente, as cinco melhores contribuições do Congresso no ano, na avaliação de jornalistas que cobrem o Parlamento.
O internauta tem até o dia próximo dia 19 para definir aquela que, em sua opinião, foi a melhor iniciativa de deputados e senadores em 2009, na finalíssima do Prêmio Congresso em Foco. Até o momento, a liberação da campanha na internet tem a preferência dos votantes (veja o resultado parcial).
Leia reportagem completa no Congresso em Foco
Fonte: Último Segundo
Prefeito que deixar escola sem merenda poderá ir para cadeia
Outubro 27, 2009 at 11:44 pm | In Brasil, Brasília, Leis | Leave a CommentA Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) deve analisar, na reunião de quarta-feira (28), proposta estabelecendo que o prefeito que deixar de aplicar recursos provenientes do Programa de Alimentação Escolar (PNAE), comprometendo o oferecimento de merenda escolar, poderá responder por crime de responsabilidade.Também irá responder por crime de responsabilidade o prefeito que deixar de prestar contas dos recursos do PNAE no prazo e forma definidos pelas normas do programa.
Segundo o autor do projeto (PLS 182/05), senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o objetivo é impedir a suspensão da distribuição da merenda nos casos em que o prefeito deixa de atender as exigências de prestação de contas, evitando-se, dessa forma, o sacrifício das crianças em nome da moralidade.
“Em vez de punir a criança com a interrupção do fornecimento da merenda, pune-se a autoridade com a suspensão de seu mandato e sua consequente inelegibilidade”, explica o senador na justificativa do projeto.
Fonte: Agência Senado
CPI comemora a aprovação do projeto de cadastro nacional de crianças e adolescentes desaparecidos
Outubro 21, 2009 at 8:54 pm | In Alagoas, Brasil, Brasília, Leis | Leave a CommentA relatora da CPI do Desaparecimento de Crianças e Adolescentes da Câmara dos Deputados, deputada Andreia Zito (PSDB-RJ), comemorou nesta quarta-feira, 21, a aprovação, no Senado Federal, da proposta que cria um Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos. Os senadores da Comissão de Assuntos Sociais aprovaram, por unanimidade, o projeto de autoria da deputada Bel Mesquita (PMDB-PA), presidente da CPI.
“Já estava na hora do legislativo olhar com mais atenção a questão do cadastro. Até veículos têm um cadastro nacional. A aprovação da proposta é sem dúvida um passo importante na caminhada pelo combate ao desaparecimento de crianças e adolescentes no país”, afirma a relatora.
Pelo PLC 60 de 2009, o acesso às informações do cadastro, bem como o processo de atualização e validação dos dados registrados, serão tratados em convênio estabelecido entre a União, Estados e Distrito Federal. A manutenção do cadastro terá como fonte de custeio o Fundo Nacional de Segurança Pública.
A Comissão de Assuntos Sociais do Senado enviará, ainda, um apelo para todas as emissoras de rádio e TV, públicas e privadas, para que ajudem o Poder Público a encontrar os desaparecidos por meio da veiculação diária dos dados constantes do cadastro. A proposta segue agora para a análise da Comissão de Direitos Humanos. Sendo aprovada, vai direto à sanção presidencial.
CPI ouve professor da Universidade de Alagoas sobre banco de dados
Professor da Universidade Federal de Alagoas, vai esclarecer na CPI do Desaparecimento de Crianças da Câmara dos Deputados SOBRE como funciona o Laboratório de DNA Forense e Diagnóstico Molecular da UFAL.
Nesta quinta-feira, 22, o professor Luiz Antonio Ferreira da Silva, chefe do laboratório de DNA Forense e Diagnóstico Molecular da Universidade Federal de Alagoas – UFAL, vai esclarecer os trabalhos realizados pelo laboratório à CPI do desaparecimento de crianças e adolescentes da Câmara dos Deputados em Brasília.
O laboratório, que foi criado em 1997, é vinculado a UFAL, e possui equipamentos modernos e infra-estrutura adequada que permitiram a criação de um banco de dados de pessoas desaparecidas, iniciativa pioneira do estado de Alagoas.
“Queremos saber mais sobre o trabalho do laboratório com este banco de dados. O pioneirismo dos trabalhos do professor pode ajudar a CPI a traçar um plano de ações posteriores, que envolva este tipo de banco. Há relatos de muitos pais e mães de crianças desaparecidas que dizem preferir encontrar os filhos mortos que permanecer na incerteza do desaparecimento”, explica a relatora da CPI, deputada Andreia Zito (PSDB-RJ).
Fonte: CPI das Crianças e Adolescentes Desaparecidos
Informações sobre pedófilos condenados poderão ser disponibilizadas na internet
Outubro 20, 2009 at 1:23 pm | In Brasil, Brasília, Leis | 1 CommentQualquer cidadão previamente cadastrado poderá ter acesso a banco de dados, disponibilizado na internet, de condenados em sentenças definitivas por crimes de pedofilia. É o que prevê projeto da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) que está na pauta da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), para exame nesta quarta-feira (21). Pelo texto (PLS 338/09), esse banco de dados deverá conter nome completo, data de nascimento, endereço residencial e do local onde trabalha ou estuda o condenado, além de sua fotografia e o crime pelo qual foi sentenciado.
Marisa Serrano explica que a finalidade é dotar o Brasil de recurso de defesa social já usado com sucesso nos Estados Unidos. Conforme a senadora, o objetivo é permitir que os pais saibam da existência de pedófilos que tenham cumprido pena residindo próximo à residência ou à escola de seus filhos. Assim, terão como identificar fisicamente essas pessoas e adotar medidas de proteção. Para a autora, o acesso aos dados é justificável como ação de defesa, já que a pedofilia é um transtorno psiquiátrico que não desaparece com a simples repressão penal.
- O projeto defende a idéia de responsabilidade social compartilhada, importante para os casos em que o Direito Penal não fornece resposta suficiente. A pedofilia é um desses casos – sustenta a autora, depois de citar relatos de especialistas e de entidades da área da psiquiatria sobre o transtorno.
O relator da matéria, senador Alvaro Dias (PSDB-PR), recomenda a aprovação do projeto. Na sua avaliação, a criação desse banco de dados pode contribuir para se evitar reincidência de crime pelo pedófilo condenado. Se tiverem conhecimento de que um condenado que cumpriu pena por esse tipo de crime passou a residir próximo à sua casa ou à escola dos filhos, afirma o senador, os pais poderão adotar restrição de horário, evitar que as crianças ou adolescentes permaneçam sozinhos e mantê-las acompanhadas no trajeto para a escola.
- São medidas eficazes para a prevenção desse tipo de crime, pois o pedófilo invariavelmente se deixa seduzir pela oportunidade – afirma Álvaro Dias
Na justificação, a autora da proposta diz que tomou como inspiração para o projeto a legislação estadual da Flórida e, ainda, a lei federal dos Estados Unidos sobre o tema (Lei 109-248). Pelo texto, o banco de dados será mantido em página do governo na internet. O usuário cadastrado poderá consultar dados de um código postal ou uma área geográfica para identificar possíveis pedófilos residindo no raio indicado. Como observa a senadora, o cadastro de usuários será também proveitoso para que o Estado, em caso de violência contra o pedófilo, possa ter conhecimento das pessoas que acessaram seu perfil, o que poderá ser útil à investigação criminal.
Todas as informações contidas no banco de dados serão fornecidas pelo próprio condenado ao juiz de execução, cabendo a hipótese de responsabilização penal por omissões e falhas, inclusive pela quebra da obrigação de manter o cadastro atualizado.
As medidas previstas no projeto são incluídas como novos dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990). Depois de receber parecer na CCJ, a matéria seguirá para a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), para decisão terminativa.
Fonte: Agência Senado
Aprovadas medidas de proteção à criança
Outubro 19, 2009 at 10:02 pm | In América do Sul, Brasil, Brasília | Leave a CommentO Parlamento do Mercosul aprovou nesta segunda-feira (19) duas propostas de proteção à criança e ao adolescente que vivem nos países do bloco: uma de criação de uma linha telefônica comum para o recebimento de denúncias de violações dos direitos de meninos e meninas, relatada pela senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), e outra que prevê parcerias com os provedores de internet para o combate à Pedofilia, elogiada pelos senadores Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Aloizio Mercadante (PT-SP).
Na primeira proposta, os parlamentares sugerem ao Conselho do Mercado Comum que articule as medidas necessárias para pôr em funcionamento uma linha telefônica, gratuita e comum a todo o bloco, denominada Telefone da Criança, com o fim de proteger e garantir os direitos dos menores. Entre as ações previstas a partir desse instrumento, estão o encaminhamento dos casos denunciados aos órgãos competentes e a atenção profissional permanente e imediata às vítimas e suas famílias.
Na proposta sobre pedofilia, recomenda-se que haja um trabalho conjunto no bloco, com medidas concretas para evitar a difusão de material contendo pornografia infantil através da rede mundial de computadores, e que se coloque à disposição das autoridades competentes as ferramentas informáticas necessárias para facilitar as investigações.
A redação da proposta sobre pedofilia foi aperfeiçoada por Mercadante, que, lembrando a experiência do Legislativo brasileiro no combate a essa prática, ao citar o trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, sugeriu o estabelecimento de parcerias com os provedores da Internet.
Fonte: Agência Senado
Plenarinho: Conselho Tutelar e tabagismo na pauta
Outubro 18, 2009 at 9:38 pm | In Brasil, Brasília | Leave a CommentNuma iniciativa parlamentar, as crianças farão votação simbólica de três projetos de estudantes
Na próxima quinta-feira (22/10) o plenário da Câmara dos Deputados realiza uma sessão especial, comandada exclusivamente por crianças entre 7 e 15 anos. Nesse dia, cerca de 400 estudantes de escolas públicas e privadas do ensino fundamental vão ter um dia semelhante ao de um deputado no plenário. Eles vão votar três propostas, escolhidas entre 600 projetos enviados para o projeto Câmara Mirim, como se estivessem em uma sessão tradicional do Congresso. O projeto foi criado há quatro anos, para estimular a participação de estudantes na vida política do país.
No dia da plenária, os alunos debaterão propostas relacionadas à regulamentação do trabalho dos Conselhos Tutelares no país, o aproveitamento da água da chuva em prédios públicos e a proibição de fumar perto de crianças.
Projetos
No projeto que trata do fumo próximo a menores de 18 anos, por exemplo, João Pedro de Souza Mello, do Distrito Federal, estabelece que o cigarro seja proibido em locais que podem ser freqüentados por crianças, como parques de diversão e clubes. Estabelece ainda que a desobediência à regra acarrete em multa de um salário mínimo. A proibição atinge um raio de 12 metros da criança.
O projeto do Conselho Tutelar prevê que seus integrantes tenham curso de pedagogia ou psicologia e reputação ilibada. O de reaproveitamento de água nos prédios públicos tenta estimular o uso racional de recursos naturais.
Em quatro edições, projeto recebeu quase duas mil propostas de projetos elaborados por estudantes de todo o país. Apesar de ter caráter semelhante ao de uma votação normal, a sessão tem apenas caráter educativo, mas as propostas podem virar realidade. Isso já aconteceu em outras edições do projeto Câmara Mirim.
Fonte: Hildo Rocha
Projeto “Ficha Limpa” é praticamente engavetado por políticos
Outubro 18, 2009 at 12:09 pm | In Brasil, Brasília, Leis | Leave a CommentLeandro Kleber
Quase três semanas depois de entregue ao Congresso Nacional, a proposta de iniciativa popular que visa barrar o registro de candidatos condenados, em primeira instância, por crimes graves ou contra a administração pública, ainda não andou na Casa. Até o momento, ainda não há uma definição de quando o Projeto de Lei Complementar (PLC-518-2009), que recebeu 1,3 milhão de assinaturas de eleitores todo o país, entra em pauta. O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), responsável pela iniciativa, chamada de campanha Ficha Limpa, já protocolou ofício solicitando ao presidente da Câmara, Michel Temer, medidas para acelerar a tramitação. Para um dos coordenadores da campanha, o juiz eleitoral Márlon Reis, “está faltando boa vontade dos parlamentares” para votar a proposta.
O projeto de iniciativa popular foi apresentado oficialmente no dia 29 de setembro, data em que as 43 entidades da sociedade civil que compõem o MCCE entregaram a Temer as assinaturas. Para valer na eleição de 2010, a proposta deverá ser votada até junho do ano que vem, prazo final de registro das candidaturas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo Márlon Reis, que também é presidente da Associação Brasileira dos Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais (Abramppe), está faltando boa vontade por parte dos políticos para a apreciação da proposta. Segundo ele, o projeto foi muito bem recebido pelo presidente da Câmara, Michel Temer, que inclusive parabenizou a iniciativa e prometeu dar agilidade na tramitação. “No entanto, quase três semanas depois de entregue, a proposta ainda está parada. Isso é inadmissível, até pela dimensão e força popular do projeto. Estamos aguardando a nomeação do relator para que o projeto seja votado em plenário”, diz.
Márlon Reis acredita que vai haver muita pressão política no Congresso e que a redação final do projeto é imprevisível. “O argumento de que a medida é inconstitucional é inválido, pois a própria Constituição determina que uma lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa e a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato”, explica.
Parlamentares contrários à medida afirmam que uma decisão em primeira instância é muito prematura para barrar a candidatura de qualquer pessoa, visto que este julgamento cabe apenas a um magistrado, e não a um colegiado. No entanto, para Márlon Reis, o princípio da presunção de inocência, que impede a punição de um acusado antes de esgotadas todas as instâncias de defesa, não pode ser invocado quando se trata de políticos e eleições. “Imagine uma pessoa que tenha sofrido condenação, apenas em primeiro grau, por haver violentado crianças. Ele poderia participar de um concurso público para professor de uma creche? Não há dúvida de que ele seria impedido de participar”, diz.
O projeto prevê que as pessoas condenadas em primeira ou única instância ou com denúncia recebida por um tribunal – no caso de políticos com foro privilegiado – em virtude de crimes graves como: racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas, não poderão registrar candidaturas. De acordo com o juiz, se o político conseguir reverter posteriormente o julgado, ou que cumpra toda a pena e ultrapasse o período de inelegibilidade, ele poderá voltar a concorrer.
A Mesa Diretora da Câmara explicou ao Contas Abertas que ainda não se conversou, nas reuniões entre os líderes partidários e presidência, sobre a votação do projeto. Porém, na próxima semana é certo que a proposta não será apreciada, pois os temas já foram definidos. Pode ser que nas demais semanas os líderes e a presidência definam quando a matéria entra direto em plenário. Mesmo assim, a aprovação pode enrolar mais do que se imagina, já que, se receber emenda, a proposta vai tramitar nas comissões competentes, o que pode levar muito mais tempo para uma aprovação final na Casa.
A boa notícia é que se os parlamentares derem urgência para a proposta (tem de haver um requerimento da maioria dos líderes que deve ser aprovado por no mínimo 257 votos nominais), o plenário deve votar de forma conclusiva para então ir à sanção presidencial. Márlon Reis acredita que não deverá haver vetos na sanção, pois acredita que o conteúdo de uma proposta encaminhada ao Congresso pelo Ministério da Justiça é muito semelhante ao PLP 518. “A presunção da inocência nas duas propostas são tratadas de forma parecidas. Por isso, não deverá haver sanção”, afirma.
Em 2008, o STF se manifestou contrariamente a uma ação protocolada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que pedia que os candidatos condenados em primeira instância fossem impedidos pela Justiça de disputar as eleições. Com a decisão, o STF manteve a validade da lei de inelegibilidade, seguindo a interpretação do TSE de que apenas candidatos condenados em última instância poderão ser impedidos de disputar as eleições. No entanto, para o coordenador da campanha Ficha Limpa, a decisão do STF não prejudica a proposta. “O Supremo julgou com base na legislação vigente na época. Agora, o cenário jurídico novo é diferente”, acredita Reis.
Para a promotora de Justiça Maria Lúcia Morais, coordenadora da campanha no Distrito Federal “O que você tem a ver com a corrupção?”, o direito coletivo tem de estar acima do direito individual. Segundo ela, só no Brasil o princípio da inocência está em um patamar “insano”. “Não há nenhum lugar do mundo com essa supremacia sob o direito da população. O direito individual não pode se sobrepor ao direito social. O Supremo Tribunal Federal está formatando o país nesse sentido. Isso tem de mudar”, afirma a promotora.
Vale lembrar que para se inscrever em concursos públicos, o candidato deve apresentar as certidões criminais. Se não estiver tudo ok, não há possibilidade de se realizar a prova. Medida semelhante acontece com juízes e promotores. Para tomar posse nestes cargos, já no quadro de funcionário dos órgãos, os postulantes sofrem uma averiguação rigorosa da vida pregressa. “Não podemos definir cidadão de primeira categoria e de segunda categoria. Os candidatos políticos não podem ter tratamento diferenciado do restante da população”, acredita Maria Lúcia.
Na última quinta-feira, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral protocolou ofício solicitando ao presidente da Câmara, Michel Temer, medidas para acelerar a tramitação do projeto de lei da campanha Ficha Limpa. No documento, o movimento pede que seja dado andamento à matéria, que não precisará mais passar pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Cabe ao presidente Michel Temer nomear o relator para que o Plenário possa deliberar sobre o tema. A campanha Ficha Limpa foi iniciada em abril de 2008.
Fonte: 24 Horas News
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