Entrevista com o senador Magno Malta

Novembro 3, 2009 at 11:49 pm | In Brasil, Entrevistas, Leis, Vídeos Ilustrativos | Leave a Comment

O Senador Magno Malta fala sobre a segurança pública, narcotráfico e violência contra a criança no programa Brasil Urgente.

 

Uma geração de jovens educada na cultura do medo

Outubro 24, 2009 at 9:49 pm | In Brasil, Entrevistas, Fortaleza | Leave a Comment

Iracema Sales

A cultura do medo, que tem como ingredientes a violência e o individualismo, faz com que as novas gerações não circulem mais pela Cidade, constata o sociólogo César Barreira* que defende mais proteção e respeito aos jovens

César Barreira chama a atenção para
uma vulnerabilidade de instituições,
antes consideradas seguras ou sagradas
como a família e a escola, fazendo com
que muitos pais entreguem a educação
dos seus filhos aos professores
(Foto: Miguel Portela)

cesar-barreiraQual a sua impressão sobre as pesquisas realizadas pelo LEV que têm como objeto de estudo o universo infanto-juvenil de Fortaleza?

Uma delas, encomendada pelo Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (CEDECA) com o objetivo de estudar a impunidade e a morosidade da Justiça com relação a crimes que envolvem crianças e adolescentes, tivemos alguns resultados que nos chamaram à atenção. Um deles, a apuração dos assassinatos de crianças e adolescentes, normalmente, não têm continuidade, exceto quando existe o interesse de alguma pessoa externa à própria família. Outro, apontou que há uma desconfiança da família na Justiça. Ouvimos frases fortes, como: “ele já iria morrer mesmo, o assassinato apenas antecipou”. Isso demonstra uma vulnerabilidade a qual estão expostas as pessoas, principalmente, as mais simples. A vulnerabilidade não é só econômica, mas também no lado da violência.

E com relação aos jovens propriamente?

Na pesquisa que realizamos com a juventude, em Fortaleza, foram criados grupos focais reunindo jovens de diversos setores da sociedade. Jovens que estudavam em escolas públicas ou privadas, outros, ligados a alguma atividade religiosa, ao surf, e viciados em droga ou que estavam pagando alguma pena. Procuramos diversificar o universo da pesquisa para tentar entender um pouco a relação que têm com a violência.

O que chamou atenção nesta pesquisa?

Um dado interessante é que eles conhecem o padrão de violência que existe em outras cidades e colocam Fortaleza ainda como uma cidade tranquila em comparação com São Paulo ou Rio de Janeiro. Outro achado preocupante é o aumento da violência dentro da escola. Na década de 1960, para nós que trabalhávamos com a sociologia da educação, a preocupação era com a violência da escola, hoje, se fala em violência na escola.

Como o fenômeno se manifesta na atualidade?

O que mais preocupa é que ela representa uma violência que ocorre fora dos muros da escola, como por exemplo, uma briga de gangue que se transfere para dentro da escola. Então, temos algumas situações de escolas que estão, hoje, praticamente sitiadas, vivendo no limite de prisioneiros. Elas não podem mais realizar festas, temendo a ocorrência de alguma briga de gangues. Alguns professores relataram que foram ameaçados pelos alunos. Há uma certa negação de autoridade por parte do professor. Enquanto não forem resolvidas práticas violentas que acontecem na sociedade como um todo, dificilmente, iremos acabar com essa violência dentro da escola.

Qual o papel da família?

É impressionante o relato de alguns diretores, ao afirmarem que muitos pais se sentem impotentes para educar os filhos e transferem essa responsabilidade total para a escola. Praticamente entregam a criança para a escola. Do ponto de vista sociológico, é importante a gente entender essa dificuldade que os pais têm, hoje, para pôr limites ao filhos. Eles temem ser chamados de autoritários ou que os filhos se rebelem. Na atualidade, existe uma discussão forte em torno do que seria uma educação mais democrática, mas que seja passível de dar limites a essas crianças e adolescentes.

Um dos problemas gerados por essa “vulnerabilidade” é a morte prematura de jovens. Como o senhor analisa esse fenômeno?

Não se pode generalizar. Estamos falando de juventudes. Temos uma juventude de classe alta, que vive uma outra situação bem diferenciada. Temos uma juventude de classe média e, outra, pobre. Essa juventude da classe pobre é a mais vulnerável e a que morre mais também, de certa forma, vítima da violência. A gente poderia fazer uma tipologia desses jovens.

De que forma essas “juventudes” se diferenciam ?

A juventude é vista como agressora, mas acho que deveria se falar dela como vítima. Porque é ela que morre mais, formando um percentual superior do que aquela considerada agressora. A gente teria que discutir se realmente tudo isso que computamos para a juventude, no sentido de que ela é violenta, são mesmo práticas violentas. Por que existem dois dados novos nessa questão.

Quais são?

O uso de drogas que, de certa forma, muda o perfil dessa juventude, principalmente, o crack porque a sua entrada define fundamentalmente uma prática mais violenta da juventude. O outro, a utilização da arma de fogo. Mesmo porque não há nada muito alarmante. O uso de arma de fogo por parte do jovem é muito baixo. Mas, digo sempre quando falo nessa questão, um jovem que anda armado é preocupante, assim como, um jovem que morre. A juventude deveria ser um dos setores mais protegidos. No entanto, temos um número de homicídios muito alto acontecendo na faixa etária entre 14 e 24 anos.

É uma fase crítica…

Trata-se de faixa etária que em princípio estaria terminando o seu curso e entrando no mercado de trabalho. Mas como não entra no mercado de trabalho, fica muito vulnerável para qualquer prática ilícita. São revendedores de drogas, os famosos aviões. É uma forma de conseguir dinheiro fácil e as pesquisas provam ser um dos setores rentáveis, mas o pessoal que entra nessa lógica é também o que morre mais. É interessante ver a relação entre vulnerabilidade, violência e homicídios porque é um ciclo vicioso. Esses jovens entram no mundo adulto muito cedo, e morrem muito cedo também.

O que esses jovens têm de retaguarda ou de proteção?

O setor da criança e do adolescente deveria ser o mais protegido: pelos pais, pela escola e pelo Estado através dos seus programas de políticas públicas. Hoje, temos um dado muito preocupante, as duas grandes instituições responsáveis por todo processo de sociabilidade e socialização da criança, a escola e a família, estão muito sujeitas a qualquer prática de violência. A família e a escola estão muito vulneráveis e deixaram de ser locais de segurança ou sagrados. Existe uma violência na escola e no interior da família. Nas classes mais pobres podem ser relacionadas determinadas práticas violentas que são cometidas por pessoas da própria família, como o estupro cometido normalmente pelo padrasto, padrinho ou tio.

E qual o papel da polícia?

Defendo que a polícia deveria se preparar cada vez mais para trabalhar com a violência da juventude. Não sou muito a favor de dizer que, hoje, a juventude é mais violenta. Não, hoje, a juventude vive num mundo diferente de vulnerabilidade por parte da família e da escola na qual a droga está mais presente. Mas fica até difícil classificar toda prática da juventude como sendo violenta.

Como o senhor avalia essas práticas violentas da juventude?

A violência é algo construído. Por isso, é preciso discutir um pouco como definir essa prática violenta dos jovens para que possamos ter elementos para classificar a juventude atual como violenta. Atualmente, temos uma situação muito mais preocupante, que é uma sociedade punitiva que está querendo sempre mais punição. Penso que a gente deveria ter mais proteção, em vez de estar simplesmente criminalizando o jovem. Se a gente tivesse um programa de proteção por parte do Estado e das escolas, provavelmente, teríamos a diminuição da violência. Mas as pessoas pedem sempre mais punição, como a diminuição da maioridade penal. Não sou a favor de passar a mão na cabeça do jovem e dizer que está tudo bem. É motivo de preocupação. Mas é muito mais preocupante a vitimização dos jovens do que propriamente ele como agressor. Claro que temos que saber como lidar com esse agressor, que pede uma preparação muito mais no plano social por parte da polícia.

Como trabalhar com os jovens o consumo, uma condição da sociedade contemporânea?

Os meios de comunicação enfatizam muito, através da publicidade, a obtenção de determinados bens pelos jovens. Vamos ter uma outra discussão, a do jovem como vítima dessa falta de socialização uma vez que existem locais onde os jovens não circulam mais devido ao medo. Quem tem filho sabe disso. A roupa que ele vai ao shopping não é a mesma que usa para ir a festa, nem a que vai à rua. Ele faz toda uma seleção, dependendo do local que vai. O medo que as pessoas têm de andar em turma porque pode ser classificada como gangue é muito forte. Estamos tendo hoje, e isso é preocupante, toda uma geração que está sendo educada no interior dessa cultura do medo. Isso leva a criar e fortalecer barreiras sociais e o outro passa a ser uma pessoa que pode lhe proporcionar violência.

A cultura do medo faz com que a cidade isole as pessoas …

Nesta pesquisa, percebemos que o jovem constrói, praticamente, linhas imaginárias por onde não pode passar. Por exemplo, os jovens de classe média e de classe média alta que moram na Aldeota ou no Meireles, não circulam em outros bairros com medo da violência. Os jovens das periferias de Fortaleza também não circulam muito em outros bairros devido ao medo. Existe uma classificação que eles mesmos fazem de determinados bairros que, às vezes, não conhecem. Na pesquisa, a gente perguntava a um jovem do Pirambu, qual era o bairro mais violento de Fortaleza, ele respondia ser Messejana, mesmo sem conhecer o local e vice-versa. Então existe toda uma construção imaginária e meio simbólica desses lugares violentos, passando a ter o bairro violento, a rua violenta e o bar violento, sendo uma construção que decorre do mundo adulto. Eles não circulam e não conhecem mais Fortaleza, em função do medo. O medo é uma situação muito preocupante, assim como a violência porque ela cria o medo, e o medo, a violência sendo necessário romper com esse ciclo vicioso.

Como chegar a um meio termo já que uma sociedade sem conflitos é uma utopia?

Primeiro, poderíamos ter essa negação de que o jovem é violento. É interessante romper com determinados estereótipos, então, para mim, a gente deveria trabalhar, repito, mais com proteção do que com punição. O jovem é muito mais carente de proteção. Segundo, reforçar fortemente programas do governo que trabalham com arte, cultura, esporte e lazer. E, terceiro, trabalhar mais no sentido de reforçar a tolerância, no sentido de respeito ao outro que é diferente de você. Na pesquisa que estamos realizando com os jovens, no momento, a palavra mais usada por eles é respeito. O que mais querem é ser respeitados pelos pais, pelos professores e pelos policiais. Existe um dado importante, o respeito à diferença. Às vezes, nós adultos somos muito intolerantes com relação aos jovens. Temos toda uma cultura que reforça o individualismo. Hoje, não se pode passar a mão na cabeça de uma criança temendo a pedofilia. É preciso deixar que as pessoas convivam bem. A pedofilia sempre existiu, hoje, é mais correto denunciar. Em vez de preparar o jovem para essa nova realidade, ele é retirado da situação.

É possível mapear o crime em Fortaleza ou ele está dissemina do na Cidade?

Ele está disseminado, mas há também uma questão que diferencia com relação a determinadas áreas. Os delitos que são cometidos na Aldeota envolvendo jovens que não necessariamente moram lá, é muito em função de obter bens. O assalto predomina muito nessas áreas. Quando se vai para as áreas mais pobres, a predominância é da violência mais física. As brigas de gangues normalmente vão ocorrer nessas zonas mais vulneráveis. Nos bairros do Pirambu, Bom Jardim, Messejana e no Tancredo Neves são disputas de gangues caracterizadas por violências físicas entre eles.

* César Barreira é coordenador do Laboratório de Estudo da Violência (LEV) da Universidade Federal do Ceará (UFC)

Fonte: Diário do Nordeste

Loucura ou falta de caráter?

Outubro 17, 2009 at 10:50 pm | In Entrevistas, Paraná | Leave a Comment

Em entrevista à reportagem do Ilustrado, o psiquiatra e psicoterapeuta Dr. Sebastião Maurício Bianco, afirma que existem algumas patologias que podem levar a pessoa a praticar um crime, mas na maioria das vezes, o problema está no caráter

Val Meira/Umuarama

pedofilo-psicopata-psicopatiaMente criminosa existe? Uma pessoa que comete um delito carrega, em seu código genético, características que predispõe ao crime? São perguntas seculares de vítimas de barbáries, que tentam encontrar uma explicação lógica para o comportamento desprezível de criminosos que matam, espancam, estupram e roubam. De janeiro até agora foram registrados em Umuarama, 15 homicídios, 10 a menos que no mesmo período do ano passado. Mesmo com a redução, policiais civis e militares, com apoio da Guarda Municipal, se desdobram para dar melhores condições de segurança pública à sociedade.

Em entrevista à reportagem do Ilustrado, o psiquiatra e psicoterapeuta Dr. Sebastião Maurício Bianco, afirma que existem algumas patologias que podem levar a pessoa a praticar um crime, mas na maioria das vezes, o problema está no caráter. Ele explica a etimologia da palavra psicopata: psico significa mente e pata é a designação para doente, ou seja, doente da mente. “Hoje utilizamos muito o termo sociopata, ou seja, pessoas que tem problemas com o convívio social”.

Para falar sobre quais os transtornos que a patologia causa na mente, o psiquiatra fez a comparação do sociopata com a criança. “Quando uma criança faz algo errado e é corrigida, aprende a não ter mais aquela atitude. Já os sociopatas não têm esta mesma capacidade de aprender com as conseqüências”, exemplifica.

Prazer na dor alheia – Estas pessoas são motivadas pelo egoísmo e não conseguem analisar a dor dos outros. Somente o prazer dela interessa, pois quer resolver a questão própria. Geralmente são extremamente malvados e agressivos, porém disfarçam este comportamento mostrando-se dóceis e carinhosos, até serem contrariados.

Outra possibilidade é a de manipular outras pessoas para alcançar seus objetivos. O psicopata, ao contrário do que muitos pensam, é dotado de um grau elevado de inteligência. “Ele planeja o crime e arquiteta tudo para que não seja pego”. As ocorrências que envolvam mais violência, a exemplo do roubo e homicídio, podem ser praticadas tanto por pessoas aparentemente normais, como por psicopatas.

A diferença está na forma de agir do bandido. O que mata ou rouba e sente prazer na dor alheia é o psicopata. Mas a prática do crime não abrange apenas patologias, passionalidade ou desvio de caráter. Há também o grande número de usuários de crack envolvidos em atos ilícitos. “Estas pessoas são relativamente saudáveis, mas acabam se tornando sociopatas para satisfazerem seus desejos. Há estatísticas que apontam para um índice de que 90% dos assaltos sejam cometidos pelo uso da droga”, revela.

Crack x caráter – Para o psiquiatra, o crack está tornando as pessoas sociopatas por ser uma droga fumada, ou seja, a fumaça vai para o pulmão e o efeito é rápido. Em milésimos de segundos, o usuário fica eufórico e tem alucinações, delírios e inquietude, devido a grande quantidade de dopamina liberada no organismo. “A dopamina provoca a sensação de prazer, mas o efeito do crack passa logo. À medida que o tempo vai passando, o efeito é mais rápido”, conta.

Dr. Bianco explica que, de acordo com levantamentos, uma pedra de crack custa em média R$ 10 e tem pessoas que fazem uso de muitas durante o dia. Para manter este alto custo, a pessoa acaba praticando roubos e furtos. Mas há também algumas doenças que podem levar a pessoa a praticar o crime.
“Existe uma doença chamada bipolar, antigamente chamada de maníaco depressiva, que provoca fases de tristeza e outras vezes de irritação e euforia. Em alguns destes extremos, a pessoa pode fazer algo ilícito. Há também os esquizofrênicos que acham que todos querem matar eles. Neste caso, a pessoa também pode ser levada a praticar o crime, fato muito raro, uma vez que são menos agressivos do que a população geral”.

Serial killers e pedófilos – Na nossa região não há casos de serial killers, ou seja, matadores em série, mas o psiquiatra afirma que eles têm uma mente patológica e em geral praticam os assassinados motivados por questões sexuais mal resolvidas. Outro caso que preocupa é o de pedófilos. “Nestes casos, que são freqüentes, é necessário um tratamento, pois os pedófilos não conseguem enxergar a gravidade dos atos cometidos contra os outros. Mas para determinar se a pessoa é psicopata ou tem qualquer outra patologia, é necessária uma perícia médica, que sempre é solicitada quando o caso vai parar na justiça”, conclui.

Contra violência, trabalho preventivo, ostensivo e repressivo

O capitão Ênio Soares dos Santos, comandante da 5ª Companhia Independente da Polícia Militar, fez uma explanação do trabalho da corporação para amenizar a insegurança. Com um trabalho preventivo, utilizando equipe fardada e veículos caracterizados, a PM vista coibir a ação marginal.
“Uma de nossas funções é de promover ações que desestimulem a até mesmo evite crimes. Para isso, são feitas abordagens para retirar armas, drogas e veículos que potencialmente poderiam ser utilizados na prática de delitos”, assegura. O capitão explica que a droga, uma vez traficada é crime, se estiver sendo usada provoca riscos sociais como: roubo, estupro, ameaça e homicídio.

Já os veículos, se não estão sendo usados por uma pessoa de responsabilidade para fim lícito, são uma grande ameaça para população. “As armas representam grande risco contra as vidas das pessoas e por certo, se os portadores tiverem um espaço maior na comunidade, haverá maior chance de agirem. Mas é claro que a prevenção destes ilícitos depende da capacidade de reação e do potencial de policiamento para que estas pessoas não se sintam em condições de cometer o crime”, analisa.

Mas o comandante explica que o perigo não está em armas, drogas e veículos. “O problema está no ser humano desprovido de valores, ética e responsabilidade. Pessoas não espiritualizadas provavelmente ou fatalmente são suscetíveis à incidência de atitudes ou comportamentos reprováveis socialmente e criminosos”, avalia. Para o capitão, todos os setores de segurança pública devem trabalhar unidos. “Precisamos de uma justiça forte, para evitar a impunidade, que gera crime”

Em Umuarama, tráfico continua motivando crimes

Em Umuarama, é raríssima a ação de psicopatas. Na maioria esmagadora dos casos, os crimes são motivados pelo tráfico ou uso de drogas. Aproximadamente 90% dos homicídios têm como causas direta ou indireta, os entorpecentes. Para o delegado adjunto da 7ª Subdivisão Policial, Valdir Balan, a redução no número de assassinatos neste ano, foi devido ao trabalho integrado entre as polícias Civil e Militar, com apoio da Guarda Municipal. Mesmo assim, o minipresídio que tem capacidade para 64 presos, abriga hoje 206 detentos.
“Estamos trabalhando em conjunto e com isso temos conseguido evitar homicídios, assaltos e outros delitos. E as operações estão sendo intensificadas, simultaneamente ao trabalho investigativo”, assegura. O chefe do Grupo de Diligências Especiais (GDE) da 7ª SDP, Milton Carlos Cinque, concorda que o perfil dos criminosos da cidade é de cometer violência sob efeito de entorpecentes.

A preocupação atual é com relação a proximidade do final do ano, época em que os assaltos e furtos são intensificados pelos bandidos. A motivação, neste caso, é para abastecer com dinheiro as facções criminosas durante as festas.
Para evitar isso, os órgãos de segurança pública já começam a criar estratégias para coibir estas ações marginais. Operações, blitze, rondas constantes e um minucioso trabalho investigativo devem ser realizados simultaneamente no comércio e área residencial, visando melhoria na qualidade de segurança da população.

Fonte: Jornal Umuarama Ilustrado

“Governantes não são cobrados” (Siro Darlan, desembargador no Rio de Janeiro)

Outubro 15, 2009 at 1:00 pm | In Entrevistas, Santa Catarina | Leave a Comment

siro-darlan-desembargador-do-tribunal-de-justica-do-rio-de-janeiroDurante os anos 1990 e nos primeiros desta década, o desembargador Siro Darlan ganhou notoriedade pelo modo como se engajou no combate ao trabalho infantil e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Comprou briga com a imprensa e redes de televisão, chegando a proibir a participação de crianças em novelas. Darlan acumula 29 anos de magistratura, sendo 14 na Vara da Infância do Rio de Janeiro.

– A gente sabe quantos carros andam nas ruas e quantas cabeças de gado existem no país. Mas não se tem ideia de quantos adolescentes cumprem medida socioeducativa.

Sua observação foi feita em Florianópolis, na terça-feira, onde lançou o quinto livro de sua autoria, Crônicas do Juiz das Crianças – Direitos e Deveres, editado pela Lumen Juris. Um trecho da entrevista ao DC:

DC – Que análise o senhor faz da questão dos adolescentes autores de atos infracionais no país?

Siro Darlan – O Estatuto da Criança e do Adolescente completa 19 anos, mas nenhum Estado o aplica como deveria. Por isso o fracasso nas medidas socioeducativas que deságua nas campanhas de redução da maioridade penal.

DC – Mas existem adolescentes que cometem atos infracionais.

Siro Darlan – O infrator é o Estado, que não cumpre a Constituição, não ressocializa adolescentes. As crianças não têm famílias bem constituídas, boa alimentação, acesso à saúde, ao lazer e à cultura. Elas buscam alternativas de sobrevivência na violência.

DC – O senhor tem sugestões?

Siro Darlan – Tem que municipalizar as medidas socioeducativas, pois o direito prioritário é a família. É preciso que o infrator esteja perto dela.

DC – Existem meios legais de acionar o Estado omisso?

Siro Darlan – O Ministério Público é eficiente quando o violador é criança ou adolescente. Quando compete ao fiscal da lei, que é o Ministério Público, entrar com ações contra o governo, não ocorre o mesmo. Não cobram do prefeito, do governador, do presidente.

DC – E o Judiciário?

Siro Darlan – O Judiciário é de certa forma o reflexo da sociedade, e também demonstra insensibilidade.

DC – O que está faltando?

Siro Darlan – Capacidade do MP e do Judiciário para lidar com o problema. Não temos uma formação específica para juízes desta área. São juízes adaptados, de outras áreas.

Fonte: Diário Catarinense

Vereador Agnaldo Timóteo desiste do parque Ibira-Jackson

Outubro 8, 2009 at 6:14 pm | In Entrevistas, São Paulo | 1 Comment

agnaldo-timoteo-exploracao-sexual-turismo-pedofilia-michael-jacksonO cantor e vereador de São Paulo Agnaldo Timóteo (PR) revelou, em entrevista ao Yahoo! Brasil, ter desistido da controversa homenagem que pretendia fazer a Michael Jackson, acrescentando o nome do astro a dois importantes marcos da cidade: o parque do Ibirapuera e a Sala São Paulo. Enviada em carta ao prefeito Gilberto Kassab (DEM), a proposta desatou uma onda de críticas a Timóteo.

O prefeito não deu resposta, e o vereador diz contabilizar protestos de cerca de 2 mil pessoas, enquanto as opiniões favoráveis “não passaram de dez; só alguns meninos que gostam do Michael”. Mas, nas contas de Timóteo, o caso lhe fez “um bem enorme”: descobriu que o número de pessoas que o odeiam “é pequeno”. O vereador não apenas se mostra inabalável como decidiu lançar um novo projeto. Quer agora uma estátua enorme de Luiz Gonzaga, o rei do baião, “onde se reúnem os nordestinos em São Paulo”.

Polemista notório, o vereador – integrante da Comissão Extraordinária de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente e da Juventude da Câmara dos Vereadores – expõe ainda suas ideias sobre sexualidade e adolescência. Considera “hipocrisia” o combate ao turismo sexual e vê o envolvimento de jovens com parceiros maduros como um “encontro de gerações”.

Agnaldo Timóteo, 73 anos, iniciou sua carreira artística em rádios locais da região de Caratinga (MG), cidade natal, ficando conhecido como “Cauby Mineiro”. Gravou cerca de 50 discos. Ingressou na política em 1982, quando elegeu-se deputado federal pelo PDT do Rio de Janeiro, com 503 mil votos. Desde 2005 é vereador de São Paulo – na eleição de 2008 obteve pouco mais de 26 mil votos. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

Yahoo! Brasil: Vereador, tem sido boa a repercussão da proposta do “parque Ibirapuera Michael Jackson” e da “Sala São Paulo Michael Jackson”?

Timóteo: Não, não. Mas vou te contar porque isso me fez um bem enorme. O número de pessoas que me agrediram, me chamando de ignorante, de idiota, [dizendo] que político não faz nada, [me mandando] à merda e [xingando de] macaco, veado… O número de pessoas que foram grosseiras, mal-educadas, desinformadas foi tão pequeno que eu dei graças a Deus. O número de pessoas que me odeiam é muito pequeno.

Y! Mas foram poucas reações negativas?

Graças a Deus. Mas não houve reação a favor. Só alguns meninos que gostam do Michael ligaram; não passam de dez. Mas me dando porrada foram, no mínimo, 2 mil pessoas.

Y! O senhor se arrepende…

Não apresentei a proposta. Só enviei uma carta ao prefeito perguntando se seria factível acrescentarmos ao nome do parque do Ibirapuera o nome de Michael Jackson. Parque do Ibirapuera Michael Jackson, onde se construiria uma estátua como símbolo turístico para o mundo todo, não só para os brasileiros. Milhões de pessoas gostariam de tirar uma fotografia perto de Michael Jackson, que foi um monstro de artista. E também Sala São Paulo Michael Jackson, pelo o que ele significou dentro do contexto da música mundial. A divulgação [na imprensa] foi que eu queria trocar o nome do parque do Ibirapuera pelo nome do Michael Jackson. Aí foi porrada. Mas, graças a Deus, não foram muitas. Até porque as pessoas mais simples sequer têm computador em suas casas.

Y! Por que a escolha do parque do Ibirapuera e da Sala São Paulo?

A Sala São Paulo porque é linda, com eventos de grande importância. É uma casa muito bonita e, pela grandiosidade do nome do Michael, eu achei que valia a pena. Em Londres, eles promovem um evento para perpetuar o nome do Michael… a mesma coisa aconteceu em Paris, em Istambul, em Lisboa. Acho que São Paulo, uma das mais importantes metrópoles do mundo, também deveria fazê-lo. Uma estátua do Michael Jackson não valorizaria o parque? Está de brincadeira, porra. “Homenagem do povo de São Paulo ao ídolo pop Michael Jackson”. Quantas pessoas não iriam quer tirar uma foto ao lado do crioulo [risos]. Mas já não penso mais nisso. É passado.

Y! Desistiu da ideia?

Claro. Tenho respondido para as pessoas que talvez fosse melhor pedir para o Jimi Hendrix e a Janis Joplin, que tanto mal fizeram para a juventude do mundo todo, induzindo o consumo de drogas, [levando] muitos à morte. A exemplo deles. Os dois têm uma grande promoção da mídia. Fizeram um grande mal para a juventude, apesar do inquestionável talento. Menos a Janis Joplin, que era meia-boca. Não podia nem chegar ao chulé da Elis Regina.

Y! Como integrante da Comissão Extraordinária de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente e da Juventude, o senhor não acha conflitante a homenagem a alguém envolvido em acusações de pedofilia?

Não há nenhum conflito. É absolutamente pertinente prestar uma homenagem a quem foi tão importante no mundo das artes. O resto ficou nas ilações. O depoimento da filhinha dele foi muito importante para que nós pudéssemos dimensionar quem ele foi realmente. Ele foi o melhor pai do mundo. Mas duas famílias o chantagearam falando que ele tinha cantado os meninos, como se fosse novidade hoje menino de 14 anos fazer “avenida”, como tem na Paulista, fazendo trottoir [calçada, em francês; expressão também é empregada para prática de prostituição]. Rapazes de 16 anos estão aí aos montes procurando ganhar um cascalho.

Y! O senhor acha preocupante o início precoce da vida sexual?

Claro. Mas sexo é uma coisa muito boa. Se os meninos de 14 anos podem transar com todo mundo, as meninas de 16 também têm o direito de fazer sexo. Desde que escolha o seu parceiro, desde que não se vulgarize. Agora não é justo é fazer uma campanha enorme contra a pedofilia enquanto o governo permite que a televisão crie essa imagem que desperta nos malucos dos pedólifos a atração pelas crianças. Isso não é justo. Nós temos nas avenidas de São Paulo e em todo o Brasil meninas lindas, popozudas lindas, fazendo trottoir. O cara vai para cama com uma delas e vai pra cadeia. Isso é uma puta de uma hipocrisia com a qual sempre vou discordar.

Y! Em 2007 o senhor causou polêmica na Câmara com um comentário assim…
A Claudete [Alves, então vereadora do PT] queria me dar porrada. Ela queria briga. Se um menino pode transar aos 14, por que uma menina não pode transar aos 16?

Y! Mesmo se o parceiro for um adulto?

Com uma mulher de 16 anos? Você quer coisa mais linda que o encontro de gerações, meu senhor? Uma menina de 16 anos com um cara de 70 como eu. Não há nada mais lindo do que o encontro de gerações.

Y! Mas o senhor não vê nada de mau nisso?

Não, até porque não pode haver nada de mau no sexo. O que pode ser mau é a vulgaridade, a irresponsabilidade, não usar o preservativo, vender o corpo… como em uma matéria que vi na televisão com menina na beira da estrada fazendo sexo oral por dez reais. Isso é que não pode acontecer.

Y! E o turismo sexual vereador?

Que turismo sexual? As mulheres chegam numa praia de Fortaleza, deslumbrantes, procurando homens e eles é que são culpados?

Y! Mesmo se essa mulher for menor de idade?

Aí prende o malandro. Agora, uma menina com 16 anos é dona da vida. Uma menina de 16 anos nos dias de hoje, com os meios de comunicação 24 horas dentro de casa, é muito bem informada para saber se quer ou não relação com alguém. Principalmente se elas vão para a beira de praia fazer trottoir. Pelo amor de Deus, não sejamos cínicos de dizer que o cara que a levou para o motel é o culpado. Mas se o cara pegou uma criança de 12 anos, fuzila. E isso está acontecendo tantas vezes, com tanto filho da puta fazendo mal para criança de até 4 anos. Não sei por que prende. Tem que matar.

Y! O senhor já expôs essa posição na Comissão?

Sou radicalmente a favor da pena de morte para os crimes monstruosos. Não tem outro caminho. Se o crime é monstruoso, ajamos como monstros.

Y! Isso valeria para jovens? O senhor é a favor da redução da maioridade penal?

Ah, claro. Dezesseis é a idade que todo menino tem de saber o que faz. Dirigem muito bem, fazem sexo muito mal e votam muito mal… Deveriam trabalhar todos. Um dos grandes pecados do Brasil é impedir o jovem de 16 anos de trabalhar.

Y! E a educação, vereador?

Por que você não pode trabalhar até 17h ou 18h e ir para uma escola noturna? Trabalhar é tão importante… Acredito que um menino pode trabalhar direitinho a partir dos 15 anos, mas 16 anos seria bem razoável.

Y! Voltando à história da homenagem… Qual artista brasileiro poderia merecer honraria semelhante? São Paulo teria outros pontos para homenagear algum artista?

Deveriam fazer imediatamente uma estátua de Luiz Gonzaga onde se reúnem os nordestinos em São Paulo, porque ele foi a mais brilhante figura da cultura nordestina no Brasil. Poderíamos fazer uma estátua enorme do Luiz Gonzaga, com uma placa de bronze contando sua história e, em volta desse pedestal, colocarmos o Orlando Silva, o Vicente Celestino… Isso seria justo. [em tom resoluto] Eu vou propor isso.

Y! O senhor vai apresentar essa proposta?

Vou propor. [falando para assessores] Ô, Dani, chama o professor aqui. Onde se reúnem os nordestinos em São Paulo. César, onde se reúnem os nordestinos em São Paulo? Centro de Tradições Nordestinas? [de volta ao Y!] Se ainda não há uma estátua do Luiz Gonzaga… Amanhã [quinta-feira] será comemorado o Dia do Nordestino, inclusive vou cantar na Câmara, em homenagem ao centenário de Patativa do Assaré. Então, deveríamos construir uma grande estátua e, em volta placas com os nomes de artistas que foram muito importantes.

Y! Qual será o repertório na Câmara?

Músicas que representem bem a alegria do povo nordestino, talvez Asa Branca.

Por Michel Blanco, do Yahoo! Brasil

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Desaparecimento de Crianças e Adolescentes: CPI em ação

Outubro 8, 2009 at 9:46 am | In Brasil, Entrevistas | Leave a Comment

O desaparecimento de crianças e adolescentes é um problema muito sério no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira de Busca e Defesa das Crianças Desaparecidas (ABCD), somem a cada ano no País cerca de 40 mil crianças. Desse total, cerca de 10% a 15% (de 4 mil a 6 mil brasileirinhos) nunca mais voltam para casa. E esses números não são totalmente confiáveis, porque muitas famílias nem sequer registram os casos de desaparecimento.

Se você acompanha a Agência de Notícias do Plenarinho, já deve saber que foi criada aqui na Câmara dos Deputados uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as causas, consequências e responsáveis pelo desaparecimento de crianças e adolescentes de 2005 a 2007. A CPI já entrou em ação, e o Plenarinho está de olho nos passos desse importante grupo de trabalho.

De acordo com a estratégia da Comissão, as atividades estarão concentradas em três fases: 1) Traçar um diagnóstico sobre a situação do desaparecimento de crianças e adolescentes no Brasil, bem como compreender o que o poder público já realiza para reduzir ou evitar o problema; 2) Colher informações que tratam dos fatos, atos e responsáveis já identificados, para contribuir com a CPI na indicação de novos depoimentos importantes e levantar novos fatos e responsáveis; 3) Ouvir testemunhas e coletar documentos para a elaboração do relatório.

Para saber mais detalhes dessa história, o Plenarinho entrevistou a relatora da CPI, deputada Andreia Zito, do PSDB do Rio de Janeiro. Ela acredita que o desaparecimento de crianças e adolescentes é um problema que, para ser resolvido, exige o empenho do governo e de toda a sociedade. Confira a conversa:

A CPI é norteada por alguma hipótese? Os deputados estarão mais centrados no tráfico de menores e nos maus-tratos familiares, por exemplo – ou tentarão estudar outras causas também?
As pesquisas apontam que cerca de 70% dos casos de desaparecimentos se referem a fugas de casa por conta de conflitos familiares, mas sem dados oficiais. Não podemos ter esse fato como único foco da CPI. É necessária a elaboração de um diagnóstico amplo que ajude no estabelecimento de programas sociais destinados especificamente para populações em risco social, além de bancos e cadastro unificado de dados nacionais, rede de divulgação de nomes e fotografias, fiscalização, bancos de DNA, estruturas de suporte psicológico às famílias e às crianças durante o processo de busca e reintegração familiar.

Os membros da CPI já começaram efetivamente o trabalho? O que já fizeram?
Sim. Já começamos a convocar representantes de ONGs e membros do poder público. No último dia 15 de setembro, ouvimos a presidente da ABCD (associação conhecida como Mães da Sé), Ivanise Espiridião da Silva, que por meio de um depoimento emocionante contribuiu com nossos trabalhos, ao trazer dados importantes sobre as dificuldades que os familiares de crianças desaparecidas passam em todo o País. Além de dirigir essa ONG, Ivanise é mãe de uma criança desaparecida e continua a procurá-la há 14 anos.

Em quanto tempo a senhora pretende apresentar um relatório para votação dentro da comissão?
Compartilhando do sofrimento de familiares das crianças desaparecidas, me comprometi a apresentar, no menor tempo possível, um relatório que proponha medidas que atendam às carências dessas famílias. De acordo com o Regimento Interno da Câmara, as CPIs terão o prazo de 120 dias para a conclusão de seus trabalhos.

A partir do relatório, será apresentado algum projeto de lei com o objetivo de reduzir o número de crianças e adolescentes desaparecidos?
Uma das finalidades das CPIs é conhecer situações que devam ser disciplinadas em lei, ou verificar efeitos de legislações existentes. Nesse contexto, a partir do resultado das investigações, no relatório a ser apresentado deverão constar propostas que visem ao aperfeiçoamento da nossa legislação.

O que a motivou a requerer a instalação da comissão?
A imprensa nacional vem noticiando com frequência fatos de maus-tratos, violência doméstica, negligência e tráfico de drogas, bem como abuso sexual, tráfico de órgãos e adoções ilegais, que constituem possíveis justificativas para o desaparecimento de crianças e adolescentes. Mas não existem dados oficiais sobre o assunto. Durante meu mandato como deputada estadual, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, fui procurada por diversos familiares que lutavam para tentar encontrar seus filhos desaparecidos. Motivada pelo sofrimento dessas famílias, ao chegar à Câmara dos Deputados, em 2007, fui buscar o apoio dos colegas desta Casa para formarmos uma CPI e investigarmos a questão.

Quando uma criança some de casa, certamente a família sofre muito – e a criança, talvez mais ainda. E qual o efeito do desaparecimento anual de cerca de 50 mil crianças e adolescentes para o Brasil?
O desaparecimento desses menores já se transformou em um problema diário que mostra a fragilidade do poder público em combater problemas sociais. O sumiço de crianças é um assunto que deve preocupar todos os cidadãos. É um absurdo saber que o Brasil não tem sequer um cadastro unificado de crianças desaparecidas*.

A senhora está esperançosa com a criação do Cadastro Nacional de Crianças Desaparecidas? Ele realmente vai ajudar a encontrar os brasileirinhos?
A maior dificuldade no trabalho de busca de crianças desaparecidas está na falta de um banco de dados padronizado e atualizado com informações dos casos de todos os estados. O Cadastro Nacional de Crianças Desaparecidas facilitará muito a solução dos casos de desaparecimento, mas deve haver o comprometimento de todos os Estados.

Além de uma boa condução da CPI, o que o Congresso pode fazer para melhorar esse triste cenário de tantas crianças e adolescentes desaparecidos?
O encerramento da CPI se dará com a aprovação do relatório, que conterá as conclusões dos trabalhos realizados e as proposições que visem ao aperfeiçoamento da legislação. Caberá aos membros do Congresso a responsabilidade em apreciar essas propostas e exercer sua função constitucional de controle e fiscalização do poder público.

*Já foi aprovado aqui na Câmara e está em estudo no Senado o Projeto de Lei 1842/07, da deputada Bel Mesquita, do PMDB do Pará, presidente da CPI, que prevê a instituição do Cadastro Nacional de Crianças Desaparecidas, com regras bem definidas. Já existe, desde 2000, um cadastro nacional, criado pelo Ministério da Justiça; mas como o repasse de informações pelas delegacias não é obrigatório, o sistema não tem funcionado tão bem quanto deveria.

Fonte: Plenarinho

“Abuso sexual infantil é um problema universal”, diz diretora de ‘Playground’

Outubro 8, 2009 at 8:26 am | In Brasil, Entrevistas | Leave a Comment

Danilo Saraiva

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Libby Spears não pára. Após fazer denúncias sobre o abuso sexual de crianças nos Estados Unidos com o polêmico documentário Playground, a diretora e produtora americana aproveitou a passagem pelo Rio de Janeiro para conhecer as favelas da cidade e tentar, futuramente, fazer um trabalho social no lugar. Foi depois de uma dessas visitas que a encontramos no Centro Cultural Justiça Federal nesta quarta-feira (7) para falar de seu filme, em cartaz no Festival do Rio.

Durante as filmagens de Playground, Libby criou a The Nest Foundation, que tenta levantar recursos para ajudar as vítimas de abuso. Ela continua com o trabalho e agora se dedica a fazer pesquisas sobre o assunto para levá-las às autoridades responsáveis.

“Abuso sexual infantil é um problema universal”, disse ela em entrevista exclusiva ao Terra. “Queria que as pessoas falassem desse assunto e não mais o escondessem debaixo do tapete, como se ele não existisse”.

Confira a entrevista na íntegra:

Como a internet contribui para o aumento de casos de exploração sexual infantil?
No passado, quando um pedófilo tinha desejos sexuais por uma criança, ele não tinha como dividir esse sentimento porque corria o perigo de se expor. Na internet existem centenas de comunidades em que pode encontrar outros como ele. É lá que ele divide suas experiências, fotos, vídeos e conta dos seus desejos, acreditando estar anônimo. Além disso, a internet contribuiu para que algumas casas que trabalham com esse tipo de prostituição consigam fazer anúncios que seriam impossíveis no meio social comum.

Quando você decidiu fazer um filme com esse tema? Foi antes ou depois da The Nest Foundation?
A The Nest Foundation foi um projeto à parte. Eu tive a ideia de fazer o documentário quando fiz uma série de entrevistas nas Filipinas, em 2001, com mulheres que eram vendidas para o exército japonês em troca de comida e roupas durante a Segunda Guerra Mundial. Descobri em seguida que a maior parte dessas pessoas exploradas eram meninas menores de idade. Comecei a investigar mais os casos e fui a lugares como Vietnã, Camboja e Indonésia, onde pude ter uma ideia mais abrangente desse mercado. Essa mesma pesquisa acabou me levando aos Estados Unidos, onde o filme foi rodado.

O que você espera que as pessoas pensem ao assistir ao filme?
Eu espero que elas percebam que esse não é o tipo de coisa que acontece somente com famílias desestruturadas. Abuso sexual infantil é um problema universal. Todos os países sofrem desse mal. Eu não quero que elas acreditem que os Estados Unidos é o culpado pela demanda do tráfico infantil, mas sim que ele está em todo lugar. Queria que as pessoas falassem desse assunto e não mais o escondessem debaixo do tapete, como se ele não existisse.

Como foi levantar fundos para conseguir tornar Playground viável? Eu imagino que tenha sido uma tarefa difícil…
É um tópico polêmico. Mas eu acho que eu consegui principalmente por conta do modo com que eu lidei com o tema. E por mostrar também que esse não era um filme comercial, mas feito com o propósito de levantar fundos para ajudar essas vítimas. Isso ajudou muito no processo.

Você não acha que o filme traz uma visão um tanto conservadora sobre o que poderia desencadear a sexualidade precoce de uma criança? A montagem tem imagens de Britney Spears usando um biquíni na capa da revista Rolling Stone e traz cenas de uma performance erótica de Justin Timberlake e Janet Jackson exibida em cadeia nacional. A mídia é realmente a culpada?
Na verdade eu não acho minha visão conservadora, pelo contrário. Eu estou falando sobre incitar a sexualidade em coisas que as crianças têm acesso. O que eu achei incrível no Rio de Janeiro foi que aqui não tem outdoors nas ruas. E nos Estados Unidos temos um monte de outdoors de grifes famosas que constantemente colocam imagens de jovens modelos seminuas em praça pública. Eu não gostaria que minha filha de cinco anos visse, por exemplo, a performance de Justin Timberlake e Janet Jackson no Superbowl. Não estou falando de adultos, mas sim de crianças que são expostas a isso diariamente.

No filme, alguns dos depoimentos vindo de crianças são um pouco chocantes. Elas falam sobre terem sido estupradas com extrema naturalidade.
Foi bom você tocar nesse assunto porque, na verdade, não é tão natural assim. Eu não sou psiquiatra, mas isso é um sintoma de estresse pós-traumático. Elas estão tão assustadas com aquilo, que colocam de lado o problema e tentam fazer com que ele pareça algo natural. Nenhuma dessas crianças tinha recebido tratamento psicológico adequado quando eu as entrevistei. A própria Michelle, personagem central do filme, não sabe lidar com isso e tenta tirar sarro desse tipo de situação. Para ela é melhor evitar.

Você continua em contato com a Michelle?
Ela perdeu a guarda dos filhos e tentei colocá-la em programas de tratamento, mas ela não quer fazer. Continuamos mantendo contato e acho que agora ela finalmente está melhor.

Por que ela foi escolhida para ser a protagonista do documentário?
Michelle era a típica representante de uma cidade de médio porte (Portland) nos Estados Unidos. As pessoas que moram ali acreditam que isso acontece em lugares como Los Angeles e Nova York, nunca no quintal delas. Eu quis mostrar que elas estavam erradas. Que ali existia o caso de uma menina que foi estuprada aos cinco anos de idade e aos 11 já se prostituía.

Quando você decidiu usar as ilustrações do artista japonês Yoshitomo Nara para ilustrar determinadas situações do filme?
Eu sempre fui muito fã do trabalho dele. Eu queria que ele participasse do filme, mas sabia que não seria fácil fazer com que ele ajudasse a ilustrar situações de estupros como as que mostro. Felizmente eu o conheci numa exposição e acabei o convidando. Com o trabalho dele, eu queria que as pessoas enxergassem além do que aqueles adolescentes estavam dizendo. As pessoas podem pensar: essas meninas tem 13, 14 anos e estão bem. Mas o bom de suas ilustrações é que ele conseguiu desenhar crianças que aparentemente estavam fazendo coisas naturais para a idade, mas no olhar delas você enxerga algo triste.

Fonte: Terra

‘O pedófilo nunca sente culpa’

Setembro 27, 2009 at 1:08 am | In Biblioteca Virtual, Entrevistas, Rio de Janeiro | Leave a Comment

Maria Mazzei

Psiquiatra Rita Jardim
Foto: Paulo Alvadia / Agência O DIA

psiquiatra-rita-jardim-perfil-pedofiloHá oito anos atendendo condenados por pedofilia, a psiquiatra Rita Jardim convive de perto com dramas como o da aluna A., hoje com 16 anos, que acusa o professor P. de, durante quatro anos, tê-la assediado. Como O DIA publicou quarta-feira, os encontros aconteciam dentro de salas vazias de um dos melhores colégios particulares do Rio.

A psiquiatra trabalha no sistema penitenciário do estado e acompanha os relatos dos presos. É ela quem analisa o perfil do pedófilo e garante que ele não tem cura. “Sempre explico ao juiz que dentro do sistema penitenciário não há crianças, por isso o preso por pedofilia apresenta bom comportamento. Deixo claro que, quando ele sair, não há como garantir que não vai atacar novamente”, explica.

O DIA: Há algum sinal que indica para os pais que a criança está sendo vítima de um pedófilo?
Rita: –Normalmente a criança não fala. E os pais não percebem, a não ser que ela apareça machucada. Um dos sintomas que ela pode apresentar é a agressividade, o isolamento e perder o interesse pelo que fazia. O rendimento na escola cai. Nós, adultos, conseguimos verbalizar os sentimentos e temos condições de nos defender. A criança, não.

O que os pais podem fazer para proteger os filhos desse tipo de abusos?
Eles precisam prezar mais o contato familiar. É importante criar pequenas rotinas, como um lanche à noite, por exemplo. É preciso e possível reunir a família nem que sejam 30 minutos por dia. Nesses momentos os pais podem perceber algo diferente no comportamento dos filhos, perguntar como foi o dia deles e conversar sobre assuntos sérios. É importante que isso seja na hora de comer, porque obriga a família a se sentar e conversar. Os pais devem ficar atentos com quem o filho conversam na Internet e quais sites visitam, porém, sem que a criança ou o adolescente se sinta vigiado.

Há uma faixa etária em que a criança fica mais vulnerável ao abuso?
O pedófilo sente atração pelas crianças de aparência frágil. Os que se interessam por meninos preferem aqueles com idade entre nove e dez anos. Estudos comprovaram que eles olham para o menino e se identificam, se veem nele. O interesse por meninas é o que chamamos de perversão sexual. É mais fácil controlar meninas do que mulheres.

Como um pedófilo ganha a confiança da vítima?
Ele entra no mundo da criança. Fala de assuntos do interesse dela, oferece balas, presentes. Depois começam os carinhos e os toques. Vai entrando na esfera sexual sem que a criança perceba. No início ela gosta. É normal, todo mundo gosta de carícias. Mas conforme vai crescendo, começa a entender o que está acontecendo, e não quer mais. Aí surgem as agressões e as ameaças, que devem ser levadas a sério, porque o pedófilo nunca sente culpa. Ele mata porque perde o interesse pela vítima ou porque sente prazer de vê-la sofrer.

No caso de professores e alunos é mais fácil identificar o abuso?
Nunca é fácil se a vítima não falar. Acompanhei o caso de um pedófilo denunciado pela vítima 20 anos depois. Ele era professor de artes marciais e tinha abusado do aluno durante dois anos. Vinte anos depois, quando a vítima já era um homem e nunca havia contado o abuso sofrido, viu a foto do mesmo professor abraçado com o filho de um amigo dele. Desesperado e com a certeza que o menino também estava sendo vítima dos abusos, contou tudo para o amigo. E tinha razão. O professor foi preso e condenado pelo crime.

No caso da jovem A. e do professor P., houve um período de dois anos em que ela se disse apaixonada. Como isso é possível?
O pedófilo sabe o que fazer para conquistar uma criança, da mesma forma que um homem maduro sabe o que fazer para conquistar uma mulher mais nova. O professor sabia como agradá-la e onde tocá-la. Sabia como atrair a atenção de uma menina de 12 anos falando de assuntos do mundo dela, o que um menino da mesma idade dela nunca conseguiria.

Depois de quatro anos sofrendo os abusos, a jovem A. acabou contando para a mãe. Geralmente, quanto tempo demora para uma vítima denunciar o pedófilo?
Percebo que do momento que a vítima resolveu denunciá-lo até o período que ela relata ter começado os abusos, já se passaram anos. Quando acontece de ser descoberto rápido foi porque a vítima tinha machucados e a mãe ou algum parente percebeu.

Ao analisar a maneira de agir dos pedófilos condenados, há alguma característica que esteja presente na maioria dos casos?
O pedófilo nunca sente culpa. Ele é frio e nunca confessa o que fez, a não ser que sinta prazer em contar com os mínimos detalhes. Muitos colocam a culpa na vítima, alegando que foi ela quem o seduziu. Geralmente, eles são tímidos, solitários, solteiros, têm dificuldades para se relacionar com mulheres e são inseguros, por isso preferem as crianças.

Os abusadores costumam atacar mais de uma vez?
Um pedófilo não ataca mais de uma criança ao mesmo tempo, ele foca em uma e ela passa a ser o seu objeto de desejo. Pode demorar anos para atacar novamente, mas vai atacar.

O comportamento pedófilo tem idade para se manifestar? O indivíduo já nasce com tendência a desenvolver essa doença?
O transtorno começa na adolescência, embora alguns indivíduos relatem não terem sentido atração por crianças até a meia-idade.

O pedófilo tem cura?
Não. Alguns especialistas sugerem a castração química, mas entendo que isso não resolve porque ele também sente atração pelo toque e em acariciar crianças, e para isso não precisa haver penetração ou ereção. A castração química é a aplicação de doses hormonais para conter a libido, mas o problema do pedófilo está também no pensamento. Há impotentes, por exemplo.

Fonte: O Dia Online

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