Goiânia: Vídeos com menores preocupam polícia
Outubro 30, 2009 at 9:12 am | In Goiânia, Tecnologia | Leave a CommentMaria José Sá
É cada vez maior o número de adolescentes que filmam cenas obscenas dos próprios celulares e enviam por email para “a turma” e até mesmo jogam as imagens na internet, “por diversão”. A afirmação é da delegada Nadir Cordeiro, da Delegacia de Polícia de Atos Infracionais (Depai), que, com toda experiência de polícia e de vida, ainda se chocou com um vídeo de sexo oral entre a estudante B.A.A.R., 12 anos, e o estudante F.S., 14 anos na quarta-feira. Os menores são alunos do Colégio Estadual Edmundo Rocha, no Conjunto Vera Cruz 2. O vídeo filmado pelo celular de outro estudante, M.M.O., 14 anos, circulou por todo o colégio, até que foi parar no celular da diretora, que levou os menores para a Depai.
Os adolescentes envolvidos confessaram que disseminaram o vídeo em comum acordo. Na delegacia, a garota contou que o colega F. a convidou “para ficar junto, atrás da escola”. Ela disse que, inicialmente, não levou a sério, mas nos dias seguintes, ele insistiu e a desafiou, dizendo que ela “ia bundar”.
B. conta que aceitou o desafio para provar que não ia “bundar”. O casal combinou com o colega M. para filmar pelo celular. M. disse que filmou “só o começo, ficou com medo e entregou o celular para F., que acabou de filmar os 43 segundos do vídeo”. Os menores, seus pais e a direção da escola serão ouvidos quando acabar a greve da Polícia Civil. Segundo a delegada, os adolescentes serão enquadrados por “estupro vulnerável” e, dependendo do entendimento do juiz da Infância e Juventude, os três poderão ser apenados com até três anos de internação socioeducativa.
A delegada Nadir Cordeiro disse que a Depai tem recebido, cada vez mais, casos semelhantes. “Já tivemos meninas novinhas que filmam, com o celular, partes íntimas do próprio corpo nu, e mandam para os celulares dos colegas por email, se oferecendo. Os pais precisam ter mais tempo para observar os filhos. Têm de ver o que eles andam filmando com os celulares, os sites que estão vendo na internet e os programas que assistem na televisão. Os pais precisam entender que eles são responsáveis pelos filhos”, desabafa.
Divulgação incentiva outros jovens
Nadir Cordeiro diz que a delegacia optou por não divulgar esses casos, para não incentivar. “Quando os adolescentes ficam sabendo de casos dessa natureza, querem imitar. Já prendemos menores infratores que confessaram que queriam apenas viver a emoção de ficar atrás das grades.” Quando acabar a greve da Polícia Civil, a Depai fará a estatística desses casos envolvendo filmagens, geralmente por celular.
A psicóloga clínica Jussara Miranda, 52, que presta serviços para a Depai, atribui a erotização precoce das crianças ao grande número de informações que elas têm acesso. “Elas começam a ser estimuladas cada vez mais cedo. Um exemplo são as músicas carregadas de erotismo nas letras e coreografias exageradamente sensuais. Com essa estimulação precoce, as crianças querem experimentar o sexo cada vez mais cedo.” Para Jussara, faltam limites e respeito. “Sem limites, as crianças não refream seus instintos.”
O educador e promotor de justiça aposentado Paulo Pergentino Mota, 75 anos, diz que esse comportamento dos adolescentes é resultado do excesso de permissividade. “Tudo isso é fruto da ausência de valores que começa na família. A estes jovens falta religião, faltam limites e regras. Quando criança não recebe formação em casa, a escola pouco pode fazer.”
Educador durante 54 anos, e proprietário de um tradicional colégio de Goiânia, Paulo Mota reclama da falta de respeito generalizada. “A adolescência é uma idade agressiva e está faltando autoridade por parte dos adultos.”
Em Curitiba
Um caso semelhante aconteceu em Curitiba: “Um vídeo de sexo entre alunos dentro do banheiro do Colégio Estadual do Paraná (CEP), a maior escola pública do Estado, foi parar na internet. Três estudantes – dois rapazes e uma garota de 13 anos – teriam deixado a sala, em horário de aula, para praticar sexo no banheiro. Um dos estudantes gravou toda a cena e colocou as imagens na internet. O vídeo já foi retirado da rede, mas circulou livremente pelos celulares dos alunos do colégio. O caso virou tema de discussão entre os alunos na comunidade do colégio em um site de relacionamentos.”
Fonte: Jornal Hoje Notícia
Escolas têm mais de um caso de drogas por dia
Outubro 22, 2009 at 7:39 am | In Goiânia | Leave a CommentPatrícia Santana
Um levantamento feito pela Polícia Civil revela que 384 ocorrências envolvendo alunos de escolas públicas e privadas da capital foram registradas de janeiro até o dia 4 de outubro. Destas 268 tem ligação com o tráfico ou consumo de drogas dentro de centros educacionais. “Podemos dizer que 70% dos casos são consequências de contato com o mundo do crime, que sempre envolve o uso ou o tráfico de entorpecentes”, pondera a delegada Nadir Cordeiro, titular da Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais de Goiânia (Depai). De acordo com a afirmação da delegada, é possível constatar que, desconsiderando os meses de férias (janeiro e julho), foram registradas três ocorrências a cada dois dias nas escolas goianienses.
Entre as regiões de Goiânia, dados da Polícia Militar apontam duas como sendo as mais problemáticas quando se avalia a questão das drogas nas escolas. Em disparada está a região noroeste, que tem mais de 100 escolas; em segundo lugar, a sudoeste, com pouco mais de 70 unidades. Uma professora da rede pública da região noroeste, que não quis se identificar, falou ao Jornal Hoje sobre o dia-a-dia na escola. “A missão do professor vai além de ensinar a ler e escrever. Precisamos educar e ensinar o valor dos princípios e valores pessoais e familiares”, explica.
Para a professora, a maior dificuldade é conviver com a violência e com a invasão do mundo do crime na sala de aula. “A escola se tornou ponto de encontro para consumo de entorpecentes e bebidas alcoólicas”, revela, ao pontuar que esses comportamentos atraem maus elementos aos arredores das instituições, fortalecendo o tráfico e o uso nas unidades escolares. Delegados ligado à infância e juventude relatam que pelo menos 20% do dos adolescentes tiveram acesso a drogas dentro de escolas.
O delegado Jorge Moreira ressalta que a violência de uma forma geral, vem acompanhada de outros fatores. “A droga e a violência na escola é só um reflexo da falta de estrutura familiar, social, comportamental, estatal, física e verbal do adolescente.” Grande parte das pessoas que vivem em um contexto marcado pela desobediência e pelo enfrentamento das normas da sociedade vão reproduzir, de alguma forma, a violência. “Pessoas sem perspectiva de vida procuram o bem estar nas drogas, no crime e na desordem”, finaliza.
Foi o que aconteceu com a adolescente Paola Fernanda (nome fictício) em 2003, quando tinha 12 anos. Ela se envolveu com uma turma de alunos do colégio onde estudava no Parque Amazonas e começou a fazer uso da maconha. Meses depois a menor, conheceu a cocaína, e posteriormente, o crack. Hoje com 18 anos, e liberta das drogas, a adolescente relata como foram os seis anos de vício. “No primeiro ano, eu consegui controlar o vício e estudar, depois abandonei tudo, mas minha família não sabia.” Os três primeiros anos de contato com a droga, resultaram na reprovação contínua da antiga quinta série, hoje sexto ano do segundo grau.
“Minha família só ficou sabendo que eu era viciada em crack porque eu comecei a roubar pequenas coisas em casa”, revela. Mesmo com os pequenos furtos, a adolescente não conseguia manter o seu vício, que, segundo ela, aumentava a cada dia. Foi então, que ela resolveu traficar. “Eu fui aviãozinho um tempo, junto dinheiro e comprei minha própria droga e comecei a traficar”, diz ao relatar que não obteve sucesso no tráfico porque consumia boa parte dos entorpecentes. “A ficha só caiu quando fui ameaçada de morte, e percebi que minha família estava desistindo de mim. Ai eu pedi ajuda”, pontua.
A adolescente, hoje maior de idade, passou por tratamento clínico psiquiátrico sonha em voltar a estudar e recuperar os seis anos perdidos no mundo do vandalismo e do tráfico de drogas. A mãe da adolescente, (que não quis se identificar) não contém a alegria de falar da recuperação da filha. “Minha filha voltou a ser a minha pequena. A força de vontade dela me devolveu a vida”, diz a mãe, emocionada.
Projeto de prevenção na sala de aula
O Batalhão Escolar da Polícia Militar goiana tem realizado um trabalho ostensivo e preventivo em todas as escolas da rede pública e privada da capital. De acordo com o tenente-coronel Abílio Rocha Neto, comandante do batalhão, 22 policiais ministram palestras educativas e preventivas sobre os riscos do mundo das drogas em 70 escolas da capital. A iniciativa é do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), que tem o objetivo de prevenir ou reduzir o uso ou tráfico de entorpecentes e violência entre crianças e adolescentes.
Adotado há 11 anos, o programa já instruiu mais de 300 mil alunos em Goiás. O soldado José Moacir Cabral Júnior, conhecido como ‘policial Moacir’ nas salas de aula, se dedica há três anos ao projeto e diz perceber resultados positivos. “Como as aulas são ministradas apenas a alunos do ensino fundamental, é possível perceber mudança de comportamento imediato na personalidade tanto na escola como em casa”, afirma.
Iolanda domingos de Lima, diretora da Escola Municipal Professora Leonísia Naves de Almeida, aprova o projeto e diz que a qualidade do ensino e do relacionamento entre professores e alunos melhorou consideravelmente após a inserção do programa na grade escolar. “Além de ajudar a manter a ordem da escola, policiais do batalhão escolar, contribuem para a formação acadêmica e pessoal de futuros cidadãos do bem”, finaliza.
Fonte: Jornal Hoje Notícia
Fiel de 15 anos acusa pastor de estupro em Goiânia
Setembro 12, 2009 at 12:20 am | In Crimes, Goiânia | Leave a CommentUma menina de 15 anos de idade acusa o pastor evangélico da igreja que sua família frequenta, no Jardim Curitiba, em Goiânia (GO), de tê-la embriagado e forçado a fazer sexo.
O suposto estupro teria ocorrido no dia 7 de setembro, quanto ele teria ligado para a garota pedindo para vê-la, oferecido uma carona e a levado a um motel na capital.
O pastor de 33 anos admite que levou a jovem ao motel e que ambos ingeriram álcool. Diz também que passou a mão no corpo da jovem. Mas dá a entender que a ela o provocou e diz que, por ambos não terem hábito de consumir bebida alcoólica, ele não conseguiu manter a ereção a tempo da prática sexual.
Em depoimento, o pastor contou que prega na igreja frequentada pela jovem há três anos e que já chegou a ministrar aulas de ensino religioso para a garota.
A delegada Miriam Borges, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), diz que há indícios de estupro, mesmo que não tenha havido relação sexual. Isso por causa de alterações no Código Penal e na Lei de Crimes Hediondos que tornaram mais severas as punições aos crimes de estupro.
“O próprio pastor confirma que chegou a acariciar o corpo da jovem com intuito sexual e, segundo a legislação, isso também é considerado estupro. Não precisa haver conjunção carnal”, afirmou.
O caso será encaminhado para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) para investigação. “Precisamos apurar em que circunstâncias isso tudo aconteceu”, disse a delegada.
Fonte: Terra
Seleiro é condenado por matar filho adotivo
Setembro 5, 2009 at 3:53 am | In Condenação, Goiânia | Leave a CommentO seleiro Antônio Rodrigues do Nascimento, de 60 anos, foi condenado nesta sexta feira (4) pelo 2° Tribunal do Júri de Goiânia a 15 anos de prisão, em regime inicialmente fechado. Em sessão presidida pelo juiz substituto Carlos Eduardo da Cunha, os jurados entenderam que Antônio enforcou até a morte o filho adotivo, A.S.M., de 11. Entretanto, rejeitaram a acusação de que o seleiro também estuprou a criança antes de assassiná-la e ocultou o corpo.
De acordo com a promotoria, os crimes ocorreram em 15 de janeiro de 1988, por volta das 16 horas, em um lote baldio localizado na Vila Coimbra, em Goiânia. Naquele dia, Antônio conseguiu sair mais cedo do serviço dizendo que precisava comprar medicamento. Ao chegar em casa, viu o menor e o levou para um cômodo abandonado ao lado da casa dele.
No local, o seleiro estuprou o filho adotivo e, em seguida, o pendurou em um caibro do barracão, enforcando-o. Depois, Antônio voltou para sua residência, onde simulou preocupação com o desaparecimento do menor, neto da amásia dele. Na tarde do dia seguinte, uma criança encontrou o corpo enquanto brincava próximo ao lote baldio, de acordo com a denúncia.
Ainda segundo a promotoria, o seleiro foi até o 5° Distrito Policial após saber da descoberta e, na ocasião, se queixou da forma com que A.S.M. foi encontrado. No entanto, familiares denunciaram o réu porque desconfiaram da atitude dele, já que havia estuprado uma enteada antes. Quando foi preso, Antônio confessou o duplo crime, com riqueza de detalhes. Ele foi solto depois e não compareceu ao seu julgamento, apesar de ter sido intimado por edital, usado quando a Justiça não encontra o acusado.
Fonte: Tribunal de Justiça do Estado de Goiás
Projeto de adoção é um dos melhores da América Latina
Setembro 2, 2009 at 2:37 am | In Goiânia | Leave a CommentAnderson Costa
O projeto Anjo da Guarda, desenvolvido pelo Juizado da Infância e Juventude de Goiânia, é um dos 19 finalistas de um concurso promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU), que visa identificar ações e iniciativas sociais de grande relevância. Lançado em 2005, o trabalho tem como objetivo buscar famílias que apadrinhem social e afetivamente crianças e adolescentes vítimas de abandono.
“Venho aqui para conhecer como funciona, quem são as pessoas que desenvolvem, quem são seus parceiros, enfim, ver de perto o projeto”, explica Rogério Magon, consultor da Comissão de Assuntos Econômicos da ONU. Segundo ele, o projeto do Juizado da Infância e Juventude de Goiânia foi escolhido entre outras mais de 400 iniciativas vindas de todos os países da América Latina e Caribe.
“Quando criamos esse projeto, confesso que não tínhamos a pretensão de estar entre os 19 da América Latina. Mas em minha opinião o que realmente nos traz orgulho são os resultados do projeto, que é o de conseguir uma família para essas crianças. Isso, sim, é fantástico”, destaca o juiz da Infância e Juventude de Goiânia, Maurício Porfírio, um dos idealizadores da iniciativa.
Encontro
Durante a tarde de ontem, o representante das Organizações Unidas ouviu depoimentos emocionados de pessoas que participaram do projeto como padrinhos ou como apadrinhados. Histórias como a do casal Maria Imaculada Torricelli e Marco Torricelli, que vivem no Mato Grosso, mas foi em Goiânia que conheceram Lidia, de 4 anos, uma garotinha que, segundo eles, mudou suas vidas.
“Quando nos conhecemos, ela tinha 2 anos e meio e no primeiro encontro lá no abrigo ela estava muito tímida, nem falava direito. Acho que ela ficou com medo ao ver um cara barbudo como eu”, brinca Marco, que está prestes a se tornar, com a esposa, pais adotivos de Lídia. “A gente começou como padrinhos e nos encontrávamos nos finais de semana e feriados, e hoje ela já mora com a gente há um ano e falta muito pouco para concluirmos o processo de adoção, mas com certeza já me sinto mãe da Lídia”, afirma Maria Imaculada.
O casal também explica que o projeto Anjo da Guarda foi fundamental não só para realizar o sonho da adoção, mas também para prepará-los para receber a pequena Lídia. “Foram cinco encontros muito úteis porque eles explicaram todas as questões legais, e dificuldades e isso ajudou a gente confirmar a nossa decisão”, conta Marco.
Prioridade a crianças mais velhas
Maria Augusta Barbosa Andraschko, coordenadora do projeto, explica que o trabalho é voltado principalmente para a chamada adoção tardia. “Crianças com esse perfil, acima dos 5 anos, são muito difíceis de serem adotadas, por que a grande maioria das famílias tem preferência por bebês ou crianças menores de 2 anos.”
A história de Ítalo, 9 anos, e da bióloga Ana Irina Fiúza, 33 anos, é um exemplo de como o sentimento de quem não pode ter filhos ou simplesmente pessoas que querem ajudar podem trazer esperança a crianças que, mesmo com pouca idade, já não têm muitas perspectivas. “Começamos como padrinhos do Ítalo e o víamos só nos finais de semana. Hoje ele já está morando com a gente e é meu filho legalmente. Um menino muito carinhoso, inteligente e saudável, mas, como todo garoto de 9 anos, muito levado também”, brinca a mãe adotiva de Ítalo.
Segundo Maria Augusta, desde o lançamento do projeto Anjo da Guarda, em 2005, são nove processos de adoção concluídos e 34 crianças em situação de guarda provisória.
Fonte: Jornal Hoje Notícia
Júri condena lavrador que matou adolescente em acerto de contas
Agosto 12, 2009 at 11:54 pm | In Condenação, Goiânia | Leave a CommentJuíza Zilmene Gomide presidiu o júri
do lavrador
Mesmo ausente, o lavrador Amires Ferreira da Silva, conhecido como Bira, de 45 anos, foi condenado nesta quarta-feira (12) a 17 anos de prisão, em regime fechado, pelo 2° Tribunal do Júri de Goiânia, presidido pela juíza Zilmene Gomide da Silva Manzolli. Formado por seis mulheres e um homem, o Conselho de Sentença acatou tese apresentada pelo Ministério Público (MP), que acusou o réu de ter matado o estudante Jonathan Pimentel de Carvalho, de 17, em acerto de contas contraídas pelo pai dele.
Durante o julgamento, o promotor Cyro Terra Peres pediu a condenação do réu, sob o argumento de que o crime foi praticado por motivo torpe e com uso de recurso que impossibilitou a defesa do menor. Já o advogado Dickson Rodrigues de Souza pediu a exclusão das qualificadoras e sustentou a absolvição do lavrador dizendo que ele matou o estudante por “legítima defesa de terceiros”, o que foi rejeitado pelos jurados.
Segundo o MP, o crime ocorreu em 5 de fevereiro de 1991, no Jardim Ana Lúcia, em Goiânia. O pai do estudante, Osvaldo Francisco de Carvalho, teria comprado uma geladeira, um fogão e uma coifa na loja Dika Comércio e Representações, de propriedade do casal Eugênio Tavares dos Santos e Mary Peixoto dos Santos. Na hora de pagar a conta, Osvaldo pediu um prazo e deu um cheque pré-datado. Na data do vencimento, ele deu outro cheque de um banco que já estava inativo.
Inconformados com a atitude de Osvaldo, os donos da loja contrataram o réu e Max Peixoto dos Santos para perseguirem a família de Osvaldo e receberem o dinheiro. No dia do crime, os comerciantes ligaram na casa do devedor e deixaram um recado na secretária eletrônica dizendo que queriam o dinheiro ou, caso contrário, iriam matar todos da família. Todavia, também consta da denúncia que os donos da loja sabiam que Osvaldo e sua mulher estavam em Rondônia.
À noite, Amires e Max viram Jonathan chegar em casa e deram um tiro na cabeça dele. Para os donos da loja, a dívida foi quitada com a morte do menor. Quando os pais dele voltaram de viagem, se reuniram com um sobrinho e foram até a fazenda de Max, em Bela Vista de Goiás. No local, os três também foram assassinados por Amires e Max. Na época, o caso ficou conhecido como a chacina de Bela Vista.
Max e os donos da loja também foram pronunciados pelo mesmo crime, mas ainda não foram submetidos a julgamento porque os autos foram desmembrados.
Fonte: Tribunal de Justiça do Estado de Goiás
Absolvido acusado de estuprar garota de 11 anos
Julho 24, 2009 at 2:02 pm | In Crimes, Goiânia, Leis | 1 CommentUm rapaz de 18 anos foi absolvido da acusação de estupro e atentado violento ao pudor praticados contra uma menina de apenas 11 anos. A decisão é do juiz da 9ª Vara Criminal de Goiânia, Marcelo Fleury Curado Dias, que entendeu que, apesar de a vítima ter pouca idade, ela teria concordado em manter relações sexuais com o réu, que era vizinho da família da menina.
O magistrado explica que o rapaz foi denunciado porque, nos casos envolvendo menores de 14 anos, a violência é presumida. Apesar disso, o juiz, ao analisar o caso, entendeu que a menina era amadurecida suficientemente para saber o que fazia quando se relacionou sexualmente com acusado. O caso teria ocorrido a partir de abril de 2004. Na primeira vez, o réu convidou a vizinha para ir à sua casa, a fim de buscar café. Ao chegar no local, os dois mantiveram relações sexuais.
Ouvida em juízo, a vítima afirmou que permitiu os atos sexuais, que nunca aconteciam na casa da menina e, sim, na do réu. “Era a vítima, portanto, quem ia ao encontro do réu.
Foram visitas sucessivas, que somente findaram quando ambos foram flagrados pela mãe da menor, que denunciou o caso à polícia”, conta o magistrado. Para o juiz, o ambiente familiar da vítima, que é muito pobre, tem muitos irmãos e mãe inclinada ao uso de bebida alcoólica, a impulsionava ao amadurecimento precoce, com condições regulares para concordar com o ato sexual.
“Tal consentimento, normalmente desprezado em razão da idade da vítima, deve ser avaliado sob pena de se cometer grave injustiça”, ponderou o magistrado.
Além disso, pesou na decisão do juiz o fato de o réu ser primário. “Ele não tem nenhuma outra ocorrência envolvendo seu nome e, caso condenado, poderia, de um momento para outro, ter sua vida marcada para sempre de maneira irreversível”, disse.
Fonte: Folha de Notícias
Teatro leva cidadania a jovens reeducandos
Junho 30, 2009 at 8:24 am | In Goiás, Goiânia | 1 CommentPablo Santos
Três policiais abordam dois rapazes suspeitos de terem cometido roubo de uma arma e os levam à delegacia. Lá, o delegado interroga os suspeitos com práticas não muito convencionais em busca da confissão de um crime que os rapazes não cometeram. Nos diálogos das autoridades, preconceito, abuso de autoridade e tentativa de conseguir uma confissão à base de tortura. A cena, interpretada por menores infratores do Centro de Internação para Adolescentes (CIA), foi vivenciada por um deles e faz parte do projeto de criação de uma rede que trabalha com o Teatro dos Oprimidos em Goiânia. A apresentação, com 15 reeducandos, ocorreu no auditório do Básico da Universidade Católica de Goiás (UCG), na tarde de ontem.
A iniciativa, que atua ainda com reeducandos do Centro de Atendimento Sócio-educativo (Case), começou há pouco menos de um ano e consiste na aplicação do método teatral criado por Augusto Boal como forma de discutir a realidade da camada mais pobre da população. As cenas violentas, tanto por parte dos “excluídos”, que planejam um roubo, quanto dos policiais, que tentam intimidar os suspeitos, refletem a realidade de grande parte dos moradores das periferias brasileiras.
Após a apresentação do “teatro fórum”, como é chamado esse tipo de apresentação, pessoas da plateia são convidadas a interferir na peça, atuar no lugar do oprimido (no caso, os suspeitos) e agir de uma forma que possam mudar a realidade da cena. As ideias apresentadas, como acionar os pais na hora da detenção, chamar a imprensa e até mesmo se jogar no chão e mandar os policiais o matar, fizeram levantar discussões sobre o que poderia ser feito para evitar as agressões da cena.
Além de discutir a realidade, a prática do teatro já apresentou bons resultados, como explica a diretora da Escola Estadual Vida Nova, onde os reeducandos assistem aulas. “Eles ficam mais interessados em estudar, argumentar. Depois dos ensaios mudou tudo. A relação deles com os outros muda, eles começam a ter mais respeito e se colocar no lugar dos outros”, comenta. Outro ponto levantado pela diretora é a questão da autoestima. “Acho que é uma oportunidade de eles virem que não servem só para isso (o crime). Dá uma força, mostra que eles têm talento. Não deixa o cara lá embaixo”.
A diretora do Case, Ivana Mendonça, vai na mesma linha. “Aqui eles têm uma oportunidade que não tiveram na vida. Quando eles apresentariam uma peça no teatro de uma faculdade?”, questiona a diretora, que é psicóloga. Ivana diz ainda que isso é uma forma de fazer cobranças para esses menores. “A gente dá oportunidade, mas cobra responsabilidade. São adolescentes iguais ao meu filho e têm de ser tratados da mesma forma. A gente está lá para isso”. Os resultados, na sua visão, já são percebidos. “Acho que diminuiu o estresse e aumentou o processo de socialização e de comprometimento.”
Para os menores, o teatro abre oportunidade única de sentir sensações até então privadas para eles. “É uma grande oportunidade de mostrar a realidade. A gente sente uma emoção muito grande de estar expondo o que acontece lá fora”, diz um dos atores/reeducandos. Outro, que fez o papel de policial, diz que, com a encenação, dá para se ter uma noção do que se passa na mente das autoridades policiais na hora da abordagem. “Eu senti que estava com o poder na mão. Eu estava me divertindo com a tortura. Eles adoram fazer isso”.
Fonte: Hoje
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